sexta-feira, 24 de julho de 2009
Anima!
Mundo Animado
Foi assim que o meu ficou...
Depois de um convite,
Meu mundo foi alegrado...
Dois videozinhos...
http://www.youtube.com/watch?v=uMgmTcKKKUw
http://www.youtube.com/watch?v=Zap_txvFTGg
quarta-feira, 22 de julho de 2009
pulsante
Eu sei!
Não vou mentir
Quando pequena me ensinaram
Mas eu não entendi
'Ou isto ou aquilo'
Para mim não era assim
Poesia não se ensina
Poesia se sente
Poesia não tem fluxo
Poesia tem refluxo
Ela vai, volta e vai denovo
Em uma só palavra
Lembro das pulsações da poesia
'Os tristes e alegres sofrimentos da gente'
Quando senti pela primeira vez...
'fiquei encantada'
Que sorte de quem sabe ler poesia
Na hora da dor
é a melhor companhia
----------------------------------------------------------------------------------
Floberla Espanca dita o dia:
"Deixa dizer-te os lindos versos raros
que minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
cinzelados por mim pra te oferecer.
Tem dolencia de veludos raros
São como sedas pálidas a arder
Deixa dizer-te os lindos versos raros
que foram feitos pra te endoidecer!
Mas meu amor, não tos digo ainda
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto e nunca te beijei...
E nesse beijo amor, que não te dei
guardo os versos mais lindos que já fiz!"
(tirando o nunca te beijei... tá valendo o resto todo!)
----------------------------------------------------------------------------------
Pra terminar,
o estado da minha alma
e a esperança...
http://www.youtube.com/watch?v=WibtVWwW-EA
terça-feira, 21 de julho de 2009
After Alls
Depois de você
Tirei o casaco marrom do armário
Coloquei a mão no bolso
Surpresa!
Nem dois reais!
Apenas Pastilhas!
Garoto.
Desembrulhei
lembrando a sessão de cinema que ganhei
Quando você me beliscou
para ter certeza que eu era de verdade
Puxei.
A pastilha saiu pela metade...
segunda-feira, 20 de julho de 2009
O Rei e Eu
Houve época e ainda deve haver geração que ache o Rei cafona, brega, simplista e popular demais. Então, que atire a primeira pedra aquele que nunca se viu numa música do Rei, que nunca sentiu o que ele escreve ou canta, que nunca pensou que "detalhes tão pequenos de nós dois são coisas muito grandes para esquecer..."
Sinceramente não sei dizer nem que fase do Rei eu mais gosto. As fases são fases. E tudo depende da sua fase...
Atualmente passei de uma fase 'Os seus botões' ("os botões da blusa, que você usava, e meio confusa desabotoava, iam pouco a pouco, me deixando ver, no meio de tudo, um pouco de você,...") para a clássica 'Outra vez' ("... me esqueci, de tentar te esquecer, resolvi, te querer por querer, decidi, te lembrar quantas vezes, eu tenha vontade, sem nada perder... só assim, sinto você bem perto de mim, outra vez").
Mas o Rei tem para todos os gostos. Pelo menos uma vez na vida o cidadão brasileiro tem que ir no show do Rei como um ato patriótico. Cantar 'Emoções' é quase como cantar o Hino Nacional (passe um tempo em Cuba e me dará razão...- aliás, em Cuba amam o Rei).
Segue uma pequena playlist e seus momentos:
- Situação 1: Festinha revival com tiozinhos bêbados dançandinho 'coisinha de Jesus':
1) A Namoradinha de Um amigo meu ("estou amando loucamente, a namoradinha de um amigo meu...)
2) Eu Te Darei o Céu ("eu te darei o céu meu bem, e o meu amor também...")
3) É proibido fumar - aquele que todo mundo completa: maconha!
4) Splish Splash - com direito a coreografiazinha de tapa e beijo, além das caras e bocas...
5) Que vá tudo pro inferno !! :P
6) Calhambeque ("levei meu cadilac no mecânico outro dia, pois a muito tempo um conserto ele queria como vou viver sem meu carango pra correr, meu cadilac - bibi - quero consertar meu cadilac - tchururururururu - bibi -(...) um carro todo velho que por lá apareceu (...) o calhambeque - bibi - buzinei assim o calhambeque...")- um detalhe interessante dessa música é no final quando ele imita roncos de motor e a velharada fala: 'Bye!' daquele tipo do Rei - 'baáy!'
- Situação 2: Festa moderninha tipo samba-rock-black (sim! o Rei tb é black!)
1) Ciúme de você - ("se vc... demora mais um pouco...")
2) Se você pensa - (..." que vai fazer de mim... o que faz com todo mundo que te ama...")
3) Todos estão surdos - (..." na, narananana...pois meu amigo volte logo, venha encontrar seu povo, o amor é importante, vem dizer tudo denovo")
4) Negro Gato - (..." eu sou um negro gato de arrepiar...e essa minha história é mesmo de amargar...")
5) Não vou ficar - ("Há muito tempo, eu vivi calado, mas agora resolvi mudar...pensando bem, não vale a pena... ficar chorando em vão, o nosso amor não tem mais solução...") - aha! pensavam que era do Tim, né?
6) Jesus Cristo!
- Situação 3: Programas de rádio tipo fossa de vigia noturno, ou love songs (mas que todo mundo ouve e chora e se descabela):
1) Proposta - ("eu te proponho, nós nos amarmos, nos entregarmos...")
2) Outra vez - ("outra vez...")
3) Cavalgada - ("vou cavalgar por toda noite...")
4) Não quero ver você triste assim - (" o que vc tem? fala comigo...")
- Situação 4: Na voz de Bethânia...
1) Todas do CD as Canções que você fez pra mim...
- Situação 5: No Dia de amigo, que foi ontem (20/07), mas, como ainda não dormi, ai vai especialmente para Rafa, Cocó, Carol Diniz, Lulú, Hector e Mega (Graças a Deus tenho tantos outros, mas, esses são os mais próximos atualmente)
"Você meu amigo de fé, meu irmão camarada, amigo de tantas partidas, de tantas chegadas, cabeça de homem (pra vc Rafa... hihihi) mas o coração de menino, amigo você é o mais certo das horas incertas (para todos essa)... não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe(s) digo, mas é muito bom saber, que você(s) é (são) meu(s) amigo(s)..."
Salve o Rei! Hey, hey, hey, Roberto nosso rei! (Ps: Já vi da Hebe à Patrícia Pillar passando pela minha avó gritando isso alucinadas em show)...
Essa vale a pena rever... pega o lenço!

domingo, 19 de julho de 2009
SALVE SELTON.
Dentre as caracteristicas profissionais deste que é um dos maiores artistas da minha geração (galera entre vinte e poucos e trinta e trá-la-lá), está, dentro do âmbito mencionado sua incrível flexibilidade exercendo a mesma função. Atualmente ele domina um terço das salas do Unibanco Arteplex Frei Caneca em São Paulo, em cartaz ao mesmo tempo com os filmes: "A Erva do Rato", "A Mulher Invisivel" e "Jean Charles".
Convenhamos que quando um ator hollywoodiano consegue uma dádiva dessas é um fato louvável. Porém, quando esse ator é tupiniquim e os filmes são nacionais, uau! isso é extraordinário!
SELTON É BRESSANE
Em "A Erva do Rato", dirigido e roteirizado por Julio Bressane, o ator contracena com a expressionista e 'antunista' Alessandra Negrini, outra excelente atriz que transita razoavelmente bem entre cinema e televisão e que vez ou outra se aventurou na música. Apenas os dois atores e um único cenário: uma casa aparentemente antiga, mas que, no decorrer do filme se mostra atemporal. Podemos entender como 'filme de baixo orçamento'.
Para quem acompanha Bressane há algum tempo, podemos entender que sobraram alguns detalhes de 'Cleopatra', também com Negrini, dos quais vemos aproveitar takes de paisagens e até mesmo o tema, já que a 'deixa' para falar do veneno do rato é o fato de Cleopatra, a rainha das vaidades, ter se suicidado tomando uma dose do mesmo.
A fotografia, sem comentários, é do excepcional Walter Carvalho.
Em determinado momento da trama, o personagem de Selton Melo que passa todo o tempo 'ditando' um livro para sua mulher que escreve, discorre sobre Cleopatra e sobre a crueza do veneno. Longos silêncios marcados por uma verborragia literária, cansativa e intangível pela maioria dos espectadores marca as últimas produções de Bressane que, junto com Ruy Guerra e Sganzerla foi um dos 'marginais' da década de 60.
Ao mesmo tempo, o cinema fala por suas imagens e não pelo seu texto. Um roteiro e não um livro filmado. Se uma imagem fala mais do que mil palavras, um segundo de cinema fala mais do que vinte a quatro mil palavras.
SELTON É GLOBO.
'A Mulher Invisivel' surpreende. Primeiramente parece ser mais um filme nacional para passar na televisão (e com certeza até o final do ano passará num desses especiais de Natal). Pode ser que seja coincidencia que Selton Melo e outra atriz particularmente de cinema, a jovem Maria Manoella (que já interpretou 'Lara' de Lúcia Murat e teve pequena participação no seriado 'Carga Pesada' como a namorada de Wagner Moura que interpretava o filho do caminhoneiro Bino), dêem a reviravolta necessária para que não seja mais um clichê com Luana Piovanni e Vladimir Brichta (este último com todo respeito).
É a prova de que um bom roteiro não depende apenas de bom diretor e grana no bolso e sim, como no teatro, de personagens no mínimo interessantes e bons atores. Neste elenco soma-se Fernanda Torres, que dispensa comentários.
Uma comediazinha romantica, despretensiosa com gosto de auto-ajuda, onde Pedro despe Selton Melo da sisudez brassaniana e mais uma vez veste nele a camisa de um filme de forte apelo comercial e bem humorado.
Poderia neste texto fazer um protesto contra o machismo, ou melhor, a favor do feminismo em colocar a namorada perfeita e invisivel num padrão muitas vezes desejado por homens e de todos os lugares e idades: uma gostosa que passa o dia em casa, de lingerie, fazendo os serviços domésticos da forma mais sexy possível, que não frequenta baladas mas, aguarda o homem em casa, nua sobre a cama, e para completar é fanática por futebol e entende do assunto. Não é mencionado o caráter intelectual da personagem já que sua vestimenta mínima sempre desvia o foco.
O que conforta a mulherada é a grande virada da personagem de Maria Manoella, a Vitoria, uma vizinha de baixíssima estima própria, carente e fantasiosa. Em um estalo ela reverte a situação fazendo investimentos impensados no objeto de desejo (no caso Pedro, seu vizinho, personagem de Selton Melo) e conquista seu espaço.
A produção 'Projactiana' (fazendo menção a 'Fábrica dos Sonhos da Rede Globo', o Projac), não deixa sobressair nenhum detalhe, sendo toda a produção linear do início ao fim. A edição é valorizada principalmente nosmomentos em que Selton imagina estar acompanhado e está sozinho, fazendo com que Luana Piovani esteja e não esteja na cena ao mesmo tempo. Na verdade isso existe desde a época das irmãs Ruth e Raquel interpretadas na Tv Tupi por Eva Wilma no início dos anos 70.
SELTON É TELECINE
O terceiro filme é 'Jean Charles'. Uma história real e recente, ocorrida com um brasileiro em Londres ainda sem final certo e exaustivamente exibido na imprensa. Ele foi morto pela polícia londrina logo após alguns ataques terroristas.
O grande destaque deste é o sensacional Luis Miranda. Baiano, negro, e com passagens respeitadas por grupos de teatro paulistanos como o Teatro da Vertigem e o princípio do Terça Insana, teve boas realizações no cinema, particularmente como o enfermeiro de Rodrigo Santoro em 'O Bicho de Sete Cabeças' e visibilidade na televisão em horário nobre no seriado 'Sob Nova Direção' de Heloisa Perrissé onde contracenava com a autora, Ingrid Guimarães, Luis Carlos Tourinho e o ótimo Otávio Muller.
Alex, é primo de Jean Charles interpretado por Selton Melo. Eles dividem apartamento na periferia com mais uma amiga e o filme começa com a chegada da prima de Jean, Vivian, interpretada por Vanessa Giácomo.
Nos primeiros momentos o filme mostra um 'Jean - Jesus', ou seja, salvador de todos, resolvedor de problemas de todos, amigo de todos, bem quisto e visto pela comunidade. Um benfeitor. Até que, como todo Jesus, Jean encontra seu Judas, na forma de uma brasileira do tipo loura de exportação, que promete lhe ajudar com serviços clandestinos. As coisas começam a degringolar.
Como filme, sem novidades. Roteiro previsivel. É televisão na tela grande. Filme feito para veiculação e público de tv. Está na sala escura ocupando espaço de outros que por falta de orçamento não tem condições de estar ali infelizmente.
De qualquer forma Selton Melo, nosso objeto de pesquisa, encara o filme de forma séria e verdadeira. Mais uma vez, surpreende.
SELTON É QUENTIN TARANTINO (Pra finalizar):
http://www.youtube.com/watch?v=op4byt-DtsI
terça-feira, 16 de junho de 2009
Você quer Marambaia?
Não era de hoje minha vontade de assistir o show de Maria Bethânia e Omara Portuondo. Eis que ao chegar na locadora há umas duas semanas imediatamente levei-as para casa, e, junto com minha avó, quase nonagenária como Omara, encantamo-nos com essas moças.
Algo indescritível acontece além de uma banda impecável e duas cantoras de renome. Há uma energia em torno de Maria Bethânia que emana uma enorme luz deixando a nós meros e mortais espectadores como se em transe. Em um nível elevado. Bethânia não é só uma cantora. Bethânia é inteira, é intensa é simples e canta como se estivesse passando uma receita de bolo para a prima.
Me lembro que quando pequena eu não gostava dela. Meu pai tinha um disco (LP!!) com a foto dela no famoso show do Teatro Opinião em meados de 1960, quando a irmã de Caetano foi convidada para substituir Nara Leão. Ela havia sido vista cantando em Salvador, para onde se mudou com o irmão e, o mesmo a acompanhou (como condição imposta pelos pais) ao Rio de Janeiro para uma pequena temporada no teatro de bolso do Centro Popular de Cultura da UNE comandado pelo Vianinha. Ou seja, embora muitos pensem ao contrário, na verdade, Caetano é que é o ‘irmão de Bethânia’ . Ela veio antes dele mesmo sendo caçula.
Mas voltando à foto, ela aparecia à frente de Zé Ketti com a expressão muito firme, os cabelos bem divididos e presos em coque. No interior do disco, ela cantava muito brava uma musica que diz: ‘Carcará, pega, mata e come’. Na minha cabeça de criança ela era praticamente o ‘homem do saco’, ou o ‘bicho-papão’ com essa coisa de ‘pega, mata e come’.
Então no final dos ans 80 ela fez um show que eu não fui, mas, minha mãe foi e me deu o CD, onde declamava Fernando Pessoa e cantava a musica do Dom Quixote:
‘Sonhar, mas um sonho impossível / Lutar, quando é fácil ceder / Vencer, o inimigo invencível / Negar, quando a regra é ceder / Sofrer, a tortura implacável / Romper, a incabivel prisão / Voar, num limite improvavel / Tocar, o inacessível chão./ É minha lei, é minha questão / Virar esse mundo, pisar esse chão / Não me importa saber se é terrível demais / Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz / Se amanhã esse chão que beijei for meu leito e perdão / Vou saber se valeu delirar e morrer de paixão / E ASSIM, SEJA LÁ COMO FOR / VAI TER FIM A INFINITA AFLIÇÃO / E O MUNDO VAI VER UMA FLOR / BROTAR / DO IMPOSSÍVEL / CHÃO’.
Bethânia passou de carcará ao romântico herói de Cervantes, sem perder a força do primeiro, somando a sensibilidade do segundo.
O tempo passou e minha trajetória de vida e arte me mostravam cada vez mais a grandiosidade dessa filha de Dona Canô. Encontrei nessa breve estrada uma pessoa que dividiu durante certo tempo essa paixão comigo. Uma grande amiga: Mônica Dranger. Juntas fomos ao delírio no Credicard Hall quando compramos os últimos igressos na última fileira do último andar para assisti-la com sua conterrânea contemporânea Gal Costa. Desculpe Gal. Mas a ‘Força Estranha’ de Bethânia bate mais forte. “Eu vi um menino correndo, eu vi o tempo (…) por isso uma força, me leva a cantar. Por isso uma força estranha, no ar. Por isso eu canto, não posso parar. Por isso essa voz tamanha”.
Não era a primeira vez que ela interpretava musicas do Rei Roberto. Afinal, algumas das canções dele só servem nos pulmões dela. Há inclusive aquelas músicas que já nao são mais do Rei, são daquela que ele mesmo chama de ‘minha rainha’. Fera Ferida, As Canções que Você Fez Pra Mim, Costumes.
Essa é Maria Bethânia. E realmente ela e sua turma (Caetano, Gil, etc) é Brasil como Omara e sua turma (Buena Vista Social Club) são Cuba.
Omara, Bethânia, Compay, Tom, Ibrahim, João. Célia Cruz é Sério Mendes. Há pouco tempo assisti o documentário ‘A bandeira que canta’ sobre vida e obra de Célia Cruz que não pode voltar à Cuba comunista depois da revolução tendo feito carreira nos Estados Unidos e difundido assim a música cubana pelo mundo. Para muitos, Célia é Cuba. Enganan-se, Célia é internacional. Tem costumes e linguagem norte-americanos. Omara não. Omara é Cuba. Omara ficou.
A enorme semelhança de temas nas canções interpretadas emocionam a ambas e à platéia que não exita em ovacionar. Não se sabe se estamos na realidade caribenha ou sulista. A latinidade prevalece.
Dona Omara termina o grande espetáculo perguntando para sua partner se quer ‘Marambaia’. Nitidamente essa cubana que foi calada por anos e depois serviu de propaganda para o mesmo governo, se divertiu com a modinha. E foi desse jeito:
‘Eu tenho uma casinha lá na Marambaia, fica na beira da praia só vendo que beleza. Tenho uma trepadeira que na primavera, fica toda florescida de brincos de princesa. Quando chega o verão, eu sento na varanda, pego meu violão e começo a cantar. E o meu moreno que está sempre bem disposto senta ao meu lado e começa a cantar.
Quando chega a tarde, um bando de andorinhas voa em revoada fazendo o verão. E lá na mata o sabiá gorgeia linda melodia pra alegrar meu coração. As seis horas o sino da capela toca as badaladas da Ave Maria. A lua nasce por detrás da serra anunciando que o dia acabou’.
Se eu soubesse que o ‘carcará’ - ‘homem do saco’ era Bethânia, eu, ao contrário das outras crianças, ia aprontar muito mais e nem dormiria para que ela viesse me buscar.
terça-feira, 9 de junho de 2009
EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS.
Falei que estava planejando ir embora. Lavinia gritou do chuveiro:
- O que você disse?
Entrei no banheiro e puxei a cortina de plástico. Ela ensaboava o corpo.
- Tô pensando em ir embora daqui.
- Pra onde?
- Não sei ainda, talvez eu volte para São Paulo.
Lavínia passou o sabonete entre as pernas, levantou um monte de espuma. E sonho.
- O que foi, bateu saudade de casa?
- Não posso ficar aqui pra sempre. Tenho que dar um jeito na minha vida.
Ela guiou o chuveirinho para o púbis. Desfez a espuma, não o sonho.”
Esse é um trecho do livro do Marçal Aquino ‘Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios’. No mesmo livro:
” O AMOR É SEXUALMENTE TRANSMISSIVEL”
” O SEGREDO NÃO É DESCOBRIR O QUE AS PESSOAS ESCONDEM, E SIM O QUE ELAS MOSTRAM”
“MUJERES COMO YO NO LAS CONOCES; LAS CONTRAES”
E eu estou só no primeiro capítulo … foda né?
(escrito - 28 de maio de 2009)