sexta-feira, 2 de abril de 2010

Mas é por causa do calhambeque... (bi-bi)


Que Roberto Carlos é místico todo mundo sabe. Que eu sou fã incondicional dele, também é sabido (pelo menos pelos leitores deste blog). Que eu arrasto meus amigos para shows e eventos dele também é sabido (muitos viram fãs também, afinal, só quem já presenciou a entrada da orquestra RC9 e o locutor anunciando o Rei, entende essa paixão).

O que pouca gente pode ter percebido é o poder premonitório que Ele possui. Só pode ser! Afinal, quando Erasmo Carlos apresentou ao colega ainda, Roberto Carlos, uma versão em português da música 'Road Hog', ninguém imaginou que um rock poderia ser feito em português e muito menos que faria sucesso falando de um 'calhambeque...'.

Pois fez e passados 50 anos do tal calhambeque, além de diversas promoções com réplicas do carrinho (carrão), uma exposição sensacional está montada na Oca no Parque do Ibirapuera em São Paulo para homenagear aquele garoto que perdeu uma perna em um acidente de trem, o filho da D. Laura que nasceu em Cachoeiro do Itapemirim no Espírito Santo e depois de ir em busca de reconhecimento no Rio de Janeiro, em menos de dois anos protagonizava uma reviravolta musical e cultural em nosso pais em plena ditadura militar, levando milhares de adolescentes à loucura nas velhas tardes de domingo no teatro da TV Record, quando ao lado de seu irmão camarada Erasmo Carlos e de sua ternurinha Wanderléia, estourou na Jovem Guarda.

Mas não é por causa dele, foi aquele calhambeque. Aliás, se não fosse aquele calhambeque que parou na contramão, hoje ele não estaria comemorando 50 anos de carreira como o maior nome da musica popular brasileira de todos os tempos.

De que valeria o céu azul e o sol sempre a brilhar se não tivéssemos Roberto Carlos para tornar nossas vidas um pouco mais bregas e românticas, afinal, 'se as cartas de amor são bregas, brega é quem nunca escreveu uma carta de amor' (Carlos Drummond de Andrade). E é isso que ele fez esse tempo todo. Traduziu o intraduzível.

Mas é por causa desse calhambeque....

Bye!


Marofe em ação:


Observe que desde a exposição sobre Bossa Nova no ano passado (2009) a Oca e o Itau tem uma excelente parceria em levar exposições incriveis, populares, inteligentes, interativas e extremamente educativas e de bom gosto por um valor 'até que acessível'. Não perca!

terça-feira, 30 de março de 2010

Minha cabeça(eira)

Sou um tipo de pessoa que não aguenta ficar sem um livro por perto, sem ler alguma coisa. Raras são as vezes que estou sem o 'livro de cabeceira'.
Acabo de ler 'Los Abandonados', de Luís Mey, o último da minha safra argentina recém-adquirida.
O primeiro romance do autor poderia identificá-lo e, porque não, classificá-lo, como um Jack Kerouac light. Sexo, drogas e rock´n´roll. Muito sexo, muitas drogas e um dito pop´n´roll. O livro é muito bem escrito e os personagens muito bem construidos. Por isso inclusive que estão virando filme com roteiro e direção de Mey, que até hoje era apenas um mero vendedor de livros na El Ateneo da Ave. Santa Fé em Buenos Ayres e com quem eu só não encontrei quando adquiri o livro porque era seu dia de folga.
Desde o principio vi as figuras dos personagens, montei as cenas na minha cabeça. Diferente do que ocorre agora com 'O Beijo não vem da boca' de Ignácio de Loyola Brandão, de renome inquestionável e de qualidade imensa mas, onde as memórias fragmentadas e separadas por tempo e espaço enremeadas por rubricas não deixa o pensameto fluir. Pelo menos não agora na página 33.
O que me faz ficar demais de curiosa pelo meu mais novo besteirol adquirido no sebo Estante Virtual 'Janey Wilcox - Alpinista Social' da Candance Bushnell. Adoro! Quem disse que livro de cabeceira é livro cabeça? O importante é o que se descobre, o universo por trás. E, mesmo com o recém inaugurado 'O Beijo...' aprendi:

"O beijo não sai da boca. Sai do coração" - Ignácio de Loyola Brandão.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Bioenergia renovável!

Acabo de assistir à campanha política, ops!, propaganda partidária, ops!, propaganda, enfim.. sei lá qual motivo inventaram ou não, do governo do Estado de São Paulo.
Acredita que em pleno 2010, todo mundo preocupado com um possivel colapso ecológico, a menina dos olhos do governo é o Rodoanel que asfaltou não sei quantos quilometros de terra entre pontes e estradas? A medida que aqueles 30 segundos eram intemináveis, meu queixo foi despencando para eu terminar num sonoro: que absurdo!
Toda vez que vou ao Rio de Janeiro de carro (sempre com mais de duas pessoas) ou de ônibus, acompanho paralelo à Dutra trilhos de trem abandonados. Lembrando que hoje em dia, o trem não polui nem 1/5 do que poluem automóveis o que, principalmente para o escoamento da produção seria formidável (como era) para a rápida e eficiente chegada aos portos de Santos, Rio ou Paranaguá (os maiores).
E o governo achando o máximo asfaltar a Terra e sufocar o planeta.
Vão dizer que em troca estão plantando não sei quantas mil árvores. Resultado: ainda estamos devendo! Na Marginal, em São Paulo (cidade) a mesma coisa: construção de não sei quantas pistas novas (pra falar a verdade não sei onde também... já não é apertado o suficiente?) 'asfaltadas'. Que maravilha, não? O asfalto, o asfalto, o asfalto! Carros, máquinas! Os homens e suas máquinas! Poluição!
No início do século passado a escritora Leandro Dupré (sim, escritora, Leandro é sobrenome) escreveu no clássico 'Éramos Seis' que um dos filhos da Dona Lola (protagonista) adorava ver o carro da tia rica ir embora pois soltava uma enorme fumaça preta. Naquela época ainda não sabiam como aquilo faria mal. Me parece que nossos governantes ainda estão em 1920.
Mas é lógico que a questão do trem é mais complicada. O buraco é mais embaixo, obvio. Maior escoamento, menor perda de produção, maior agilidade na exportação, maior necessidade de produção. E onde se encaixa a robalheira que é a perda de quase metade dos produtos agrícolas? Quem não se lembra do Tratado(?) de Taubaté em 1900 e uns quebradinhos quando mandaram incendiar as sacas excedentes do café para aumentar seu preço?
É meu amigo, essa escola é centenária!
Não quero ser Ecochata, mas, essa história de achar asfalto, carro e máquina bonito...é muito retrógrado! Bioenergia por favor!

Sábio Tom Zé!

"A volta do Trem das Onze"

Pra Iracema em Jaçanã
A esperança parece vã
Mas na maloca, Adoniran
Já se reforça, com tapioca, caldo de rã,
E convoca Joca pra derrotar Leviatã e Tio Sam.

Refrão:
De ferro e bronze
O trem das onze
Voltará,
Em Jaçanã bem de manhã
Apitará.
Comemoremos Mato Grosso eu e Joça
Com Iracema e o Arnesto na maloca.

Soja disse que este ano vem
Andar de trem,
E o milho vai querer também
Andar de trem,
Feijão disse que ninguém vai ficar sem
Andar de trem.
Inês e todo o pessoal da Mooca e do Belém
Andar de trem.

Refrão

Frankfurt, Roma,
Europa forte,
É povo rico de toda sorte,
Tudo barateia nesse transporte;
Até Las Vegas,
Ó trem carregas pra Nova Iorque,
Mas aqui o gringo tirou o trilho
Pra não deixar trem passar."

domingo, 21 de março de 2010

De bar em bar

Nem sou chegada numa 'birita'. Pelo contrário, sou até bem 'fresca': limpo a boca do copo, a lata de refrigerante ou o gargalo com guardanapo antes de encostar a boca. Passo um papelzinho também nos talheres. Lógico que não é em todo lugar que faço isso, o que é, de minha parte, um master-preconceito. É sabido que muito restaurante grã-fino é bem mais porco que os 'butecos pé-de-chinelo'.
Tenho uma amiga, toda metida a fina, viagens, carros, contatos (isso também torna uma pessoa 'chique') e que diz: 'agoro um boteco, daqueles bem pé-sujo!'. E frequenta uns lugares que eu tenho até medo. Meu fisioterapeuta, também 'fresco' e gay (normalmente gays tem aversão a tudo que é povão), completa minha amiga:'quanto mais sujo melhor'.
Claro, tem aquela clássica do 'o pão na chapa não é o mesmo em casa porque não tem os micróbios...'.
Enfim, fato é que todo mundo tem seu buteco do coração. O meu em São Paulo é o Fufu. Nome carinhoso, só para os intimos, do Skina Grill do Seu Fuad. Figura típica. Personagem do bairro. O terror das velhinhas do baile do Piratininga (pega todas!). Simpático, foi candidato a prefeito pelo PSDB em 1989. O bar é decorado com aquelas fotos do dono do estabelecimento com celebridades 2o. escalão. É limpo. Quer dizer, devido à alta rotatividade não dá tempo dos bichinhos procriarem. Muito frequentado por jornalistas que trabalham na Folha (e cansam do Folhão) e vizinhos de Santa Cecília e adjacências.
No Rio, o boteco do coração é o Cardosão. Frequentado pelas famílias de Laranjeiras, tem um bolinho de bacalhau e uma empadinha impagáveis. Administrado pelos filhos da D. Celina, é uma espécie de armazém e mercadinho onde se encontra de produtos de limpeza a gêneros alimentícios não-perecíveis a remédios para dor de cabeça e outras mazelas auto-medicáveis. Coisa que em São Paulo não existe mais...

Vá lá:
- Armazém Cardosão: Rua Cardoso Junior, 312 - Laranjeiras - Rio de Janeiro / RJ
- Skinna Grill do Fuad: Rua Imaculada Conceição esquina com Rua Francisco Martim - Santa Cecília - São Paulo /SP

quarta-feira, 17 de março de 2010

Seria o Dinheiro Deus ou o Deus Dinheiro?

A campanha da Fraternidade da Igreja Católica deste ano de 2010 fala sobre Deus e Dinheiro. Sobre como temos tratado estes temas: causa e consequência, consecutivos de um para outro ou consecutivos de outro para um? Ou apenas uma dádiva. O que você faz com seu dinheiro? E com seu Deus? Quem te rege? Deus? Dinheiro? N.d.a.?
Idependentemente da escolha ou herança religiosa pensar nos valores humanos está acima disso, pois, qualquer alternativa intercepta essa questão. Tudo passa pelos valores morais e éticos de cada um. E não é apenas em relação a determinadas religiões que pregam a entrega de seus bens, do seu suor e do seu esforço para o templo de devoção deixando pessoas endividadas no maior exemplo de má-fé.
O dito popular diz que judeus são 'mão-de-vaca', que sabem cuidar e ganhar muito bem o dinheiro, que o fazem render e se multiplicar. Ao mesmo tempo ostentam jóias e carros. Hoje principalmente no mundo capitalista, muitos jovens judeus chegam a ser arrogantes quanto a isso. Inclusive em sociedades e casamentos. Ainda hoje.
Não muito diferente da igreja católica que no princípio pobrezinha hoje se divide em riquíssimos e muito pobres, pois, a classe média virou evangélica. Então de ambos os extremos católicos se doa esmolas para a igreja. Para uns custa muito, para outros muito pouco. Teoricamente esse dinheiro é para obras de caridade e, muitas vezes o é realmente. O que para o rico é mais doído de doar, o pobre doa com gosto, abre mão de suas necessidades e desejos em prol do outro. O rico diz que reza, sai da missa escolhida a dedo pela ordem de menor duração e sai correndo antes mesmo do padre se retirar. Fica horas na fila do vallet esperando seu carrão. E não faz nada do que prometeu a Deus. Deve ter passado despercebido, pois ele foi apenas cumprir função.
Islâmicos também são vistos como bons negociadores e comerciantes. No entanto, hoje em dia, o medo de terrorismo é grande para com pessoas desta crença. Foi generalizado.
A verdade é que Deus é toda energia boa que faz os planetas dançarem, as marés se movimentarem, o vento soprar, o trovão estourar e todos os outros fenômenos da natureza. O homem está esquecendo que faz parte desse sistema, automatizando e mecanizando tudo. Perdendo seu contato com a natureza e assim, com Deus. Tudo é fugaz e efêmero. Tudo é supérfluo. Tudo é dinheiro.

Essa semana fiquei refletindo muito a respeito disso, depois que Eike Batista, o 8o. Homem mais rico do mundo e ex-marido da Luma de Oliveira, saiu na Forbes declarando sua fortuna e isso virou um escarcéu em cima dele. Foi até inventado uma calculadora chamada Eike Calculator (que era um site que já foi tirado do ar) onde você coloca seu mísero (perto dele tudo é mísero) salarinho e fica sabendo quando ficará rico como ele. Salvo seja o ex-deputado João Alves (vide video), conhece o Dia de São Nunca??



Para alguns Deus pode ser o Silvio Santos...



Para marofar:
- O grupo teatral Parlapatões, Patifes e Paspalhões tem uma peça de repertório chamada 'As Nuvens e/ou Um Deus Chamado Dinheiro' vale a pena conferir.

domingo, 14 de março de 2010

Minha vida não cabe num busão!

Aposentei o carro. Em prol do meio-ambiente voltei ao velho (nem sempre bom) coletivo. Saudosismos a parte, estão bem diferentes da minha época de colégio quando a turma inteira pegava o Perdizes - 875A ou M que passava na porta do colégio e ia deixando a galera desde o metrô São Judas até eu que descia no meio da Avenida da Consolação. O ônibus era aquele meio oval com os bancos 'dois em um' e faróis redondos. E isso mal tem 10 anos.
Hoje a coisa mudou muito. Principalmente os pontos de ônibus que estão mais longe o que me faz pegar 2 ônibus. Mas tudo bem porque hoje existe o tal Bilhete Único que facilita muito além das várias histórias hilárias que só um bom busão te proporciona.
Outro dia peguei o 819P que sobe a Avenida Angélica até a Dr. Arnaldo. Ao entrar vi nos bancos reservados uma figura que deve ter seus 60 e picos e que é famos aqui na região. É fato que a figura não bate bem da cabeça, mas, parece que vive direitinho. Os ônibus de Higienópolis são extremamente ecléticos. Temos de mendigos a madames 'laqueadas' passando pelos colegiais e executivos. Neste dia, essa figura que é gordinha com nariz adunco e cabelos grisalhos pela cintura, falava alto com sua voz estridente e com 'língua plesa', contando à uma senhora 'laqueada' que logo deu um jeito de saltar que seu 'pai saia transando por aí'. Assim mesmo.
Os olhos da senhora interlocutora quase saltaram antes dela e pelo pára-brisa do ônibus. A outra lógico, não percebeu, mas, o ônibus inteiro caiu na gargalhada com a situação.
Tenho certeza que a vida em ônibus dos outros não é tão animada quanto a minha e muitos dizem que é porque eu tenho a opção do carro em casa estacionado na garagem. Fato é que me divirto mesmo porque para mim andar de ônibus ou de coletivo é desestressar do trânsito e fazer caminhada. Mesmo com horário certo para chegar aos lugares.
Ao mesmo tempo essa minha nova filosofia me dá aparatos peculiares tais como sempre que estou em ônibus intermunicipais, se entra uma mulher com uma ou duas crianças pequenas e chorando para todos sentarem na mesma poltrona, 100% de chance de que seja a dona da vazia ao meu lado. E 99% de chance que ela tenha subido ao veiculo nos 45 do segundo tempo quando eu já comemorava meu enorme espaço ao ir sozinha em duas poltronas.
Idem se entra alguém mais avantajado fisicamente. Da última vez tive que ceder meia poltrona para o braço do companheiro ao meu lado. Ande de ônibus comigo e comprove!
Como boa paulistana que sou, sigo o exemplo de nossa 'mui' respeitosa ex-prefeita: 'Relaxe e goze!'

terça-feira, 9 de março de 2010

Conclusão

Esse vídeo é só para completar o post de ontem. O importante é assistir dos 04h40 aos 05h00. Se der tempo vê o resto também...