sexta-feira, 20 de agosto de 2010

L' AMOUR

'Sonhadora, ela viu se afastarem os passos do homem ao lado de quem ela se sentia cada vez mais segura e ao mesmo tempo em grande perigo. Pouco dada a analises, procurava destrinchar as causas dos sentimentos contraditórios que a assaltavam. Ele me assusta. Mas como sou idiota! Porque teria medo dele? Nunca fez nada que justifique tal angústia. Será que eu tenho medo de que não me ame? Que me deixe? Tenho medo disso, é claro. Mas sinto que essa não é a verdadeira causa. É algo quase físico. Tremo de medo quando ele me trata como meu anjo. E, no entanto minha atração por ele é tão forte que o seguiria para onde quer que fosse. Mas... e ele? Diz que me ama sempre que nos encontramos, salta em cima de mim sem mesmo se dar ao trabalho de me dirigir a palavra a não ser para dizer: Venha... eu a quero.'

'O Sorriso do diabo - Régine Deforges'


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pai que é pai...

O dia dos pais está chegando. Resolvi listar alguns 'pais' do meu subconsciente (coletivo). Acrescentem nos comentarios!

1o. Lugar = Hommer Simpson.

O típico pai da classe média americana (? - cerveja e televisão) é universal quando se trata de entender o que se passa a sua volta. Ou seja: nunca entende nada!

2o. Lugar = Gaspar Kundera

Fantastico personagem de Nuno Leal Maia na Top Model, tinha uns 500 filhos e morava com eles (que tinham nomes de ícones pop), o cachorro Maradona e uma babá tipo Mary Poppins numa casa meio palafita, sensacional, ultra-ecológica, na praia e todos pegavam onda juntos!

3o. Lugar = O pai do Sean

Lembra da historia do garoto americano que veio para o Brasil com a mãe escondido do pai dele, aí a mãe morreu e já tinha casado e tido uma filha com outro cara? Então, enquanto muitos pais usam a desculpa de 'ele fica com a avó...', o pai do Sean foi atrás mesmo, durante anos, travou uma briga diplomática entre Brasil e Estados Unidos e por fim levou seu filho de volta para casa.

4o. Lugar = William Bonner

Ou você não acha que aquele 'onde está você Fátima Bernardes?' na verdade não é um pedido de socorro?

Coloquem os seus! Não vale colocar o próprio pai ou se colocar.

Marofas,

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dos 20 aos 30...

Marcela era roqueira. Andava com cabelos desalinhados e calça rasgada. Pegava ônibus ouvindo Soul Asylum. Hoje é dondoca. Casou-se com um advogado, tem dois filhos, não trabalha e dirige uma perua. Tem duas babás que permitem suas idas semanais ao cabeleireiro e vários cartões de crédito para sua toalete fina.
Carolina queria casar. CDF sempre foi uma excelente aluna. Nunca ousou. Formou-se em química (que era sua materia preferida), trabalhou por cinco anos na mesma industria com seu namorado, futuro marido. Tomou um pé, pediu demissão, foi pra Londres. Tingiu o cabelo de roxo, fez uma tatuagem e colocou piercing. Voltou para o Brasil e hoje é professora de Ensino Fundamental.
Rafaela namorava Marcelo. Há anos. Tinha uma familia perfeita. Sonhava em ser jornalista e mudar o mundo com suas idéias. Seus pais se separaram, seu mundo caiu, ela não comeu e adoeceu. Saiu do hospital direto para São Paulo onde fugiria de tudo e trabalharia em um grade jornal. Virou designer. Após anos trocou de emprego, virou chefe. Viaja o mundo. Ganhou a vida e nunca mais arrumou um namorado como o Marcelo.
João queria fazer cinema e politica. Prestou vestibular e entrou nas duas. Largou o cinema pela politica. Ou melhor, pelo DA da faculdade. Foi jubilado. Voltou. Viajou dois anos e se desiludiu com o mundo. Ficou deprimido. Viveu tempos só de mesada do pai, com quem não fala. Fez pós-graduação desmotivado. Virou diplomata. Mora em Brasilia.
Fabiana morava em Santos, pegava onda e fumava maconha na praia todo dia. Gostava de ler, já tinha namorado alguns garotos e trabalho não era sua área. Começou a fotografar o por-do-sol no Canal 4. Depois, as pessoas e o que mais aparecesse pela frente. Arrumou o emprego dos sonhos por influencia do padrasto: fotografa de navio. Viajou o mundo. Voltou fotografando, lendo fumando maconha e lésbica. Hoje é funcionária pública com muito orgulho.
A pessoa é para o que nasce??

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sem enrolação


Acredito que houve um hiato na produção direcionada ao público adolescente desde os primórdios de Malhação. Lá no começo, me parece que o programa falava com o seu público, depois,se perdeu. Eu que faço parte da geração 'Confissões de Adolescente' ontem tive a satisfação de assistir ao 'Desenrola' da Rosanne Svartman no Festival de Paulínia.
O filme é tão gostoso que nos faz voltar às salas de aula do colegial (ops! Ensino Médio). Azaração, zoeira com a galera, turma do fundão, as populares, os nerds, os papos de corredor, as noias adolescentes que impossível não se identificar. O melhor é que em momento algum o filme faz pregações politicamente corretas. Me pareceu bem próximo da realidade.
E divertido, leve, como não se via no cinema jovem nacional acredito que desde 'Garota Dourada' nos primórdios da década de 1980. Aliás, a década é bem presente no filme, tanto pelo elenco convidado como Claudoa Ohana, musa total da geração, Leticia Spiller que foi o sonho de muita garota porque era paquita e depois casou com o galã da década Marcelo Novaes, que também faz participação. As referências aos livros e aos discos e aos shows!
A relação com os pais que eram os adolescentes de 'Garota Dourada'e que viviam os mesmos dilemas e... 'será que eles esqueceram como era ter 16 anos?' Está provado para nós espectadores que eles já tiveram.
Cabe lembrar que nessa 'sêca' juvenil cinematográfica temos um levíssimo respiro com 'Houve Uma vez dois verões' do Jorge Furtado, mas, infelizmente foram poucos os que viram.

Marofadas:

- Várias, na praia em um luau!



Serviço:
Filme 'Desenrola' de Rosanne Svartman

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Soneto do Conselho - by Rafa Nygaard

"Se eu fosse você, meu camarada
Não ficaria achando que tudo vai dar em nada
Que a dela foi mais uma roupa amassada

Se eu fosse você, meu camarada
Pensava com calma
Pois esta sim pode ser a sua bem-amada

Ah, se eu fosse você, meu camarada
Eu mandaria flores
Escreveria cartas de amor (ridículas*)
Esqueceria seus tolos temores

Mas como não sou você, meu camarada
Me resta dizer que tudo que é bom tarda
Mas uma hora chega
E agora não vá você, meu camarada, fazer outra grande trapalhada!"

Grande Rafa! Essa é das minhas!

O que você levaria na mochila?


Imagine que você tem que colocar sua vida em uma mochila comum. Olhando à sua volta você começa pelas estantes: vão os livros, CDs, DVDs, talvez um notebook com documentos importantes tenham eles o teor que for, algumas fotos, bibelôs diversos trazidos de viagens ou de momentos marcantes. Aí você passa para as gavetas: roupas diversas para todas as estações diferentes tamanhos e cores, cada uma de uma época, muitas que nem servem mais mas fazem parte da sua história. Aquele frasco de perfume, seus tratamentos de beleza sem os quais não pode viver. Até que você chega nas coisas grandes e que lhe custaram anos de trabalho para conquistar: mesa, cadeiras, geladeira, televisão... seu carro.

O peso dessa mochila começa a ter significado sob seus ombros. Imagine que se você for realmente carregá-la para fora de casa, é melhor nem fazê-lo, pois, está realmente pesada e seu conforto torna-se um fardo. Então em um momento de fúria você joga essa mochila fora, queima. E tudo se perde.

E você percebe que os livros, os CDs, os DVDs, o notebook, as lembrancinhas de viagem continuam lá. Que roupa, basta a que você está vestindo e que os elefantes brancos não passam de elefantes brancos.

O que valeu disso tudo foram as idéias contidas nos livros, as músicas do CD, os filmes do DVD, o cérebro matemático e lógico do notebook (mas você tem o seu!), as recordações das viagens, o cheiro do perfume que te lembra aquela música que te lembra aquele dia que te lembra aquele lugar e que te faz gostar mais daquela pessoa.

Fotos? São lindas e perfeitas para quem não tem memória. Foto tem no máximo cor. Foto não tem cheiro, não tem gosto, não tem sentimento. Transmite, mas não tem. O que transmite na verdade é a recordação que ela tras.

Agora imagine a mochila novamente vazia e nela você só pode colocar o sentimento. Então você não coloca mais a música, você coloca o namorado. Você não coloca mais o casaco de lã feito pela sua avó, você coloca a sua avó. Você não coloca mais um livro emprestado pela sua irmã, você coloca a sua irmã. E por aí vai: mãe, pai, amigos queridos, uma babá, uma professora, uma paixonite, um amor louco, um caso importante, um primo perdido, um tio, e por aí vai.

O peso da mochila seria muito maior.

Mas por se tratar de sentimento e este não conter peso físico e sim virtual a sua mochila fica leve e você fica mais livre. Leva consigo apenas o que não pesa. Mas que é essencial.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Atemporal e Alocal


Tudo aconteceu muito rápido. De repente a noticia: o Saramago morreu! Remeto a 2002. Meu primeiro contato com o autor. Havia terminado a escola de teatro a cerca de um ano e, como de praxe, os jovens atores recém formados tinham o sonho de 'não ser mais um', 'não ser mais um rostinho bonitinho' e, 'mudar o mundo com idéias'. Da batelada de formandos todos os semestres (as mesmas pessoas que são contra a 'linha de produção' e a repetem), um grupo de destacou e realmente fez coisas bacanas. Ainda faz, embora o grande sonho de muitos hoje em dia seja apenas 'ser mais um' ou apenas 'um rostinho bonitinho'. Já o mundo, esse não muda tão fácil assim.
A Cia Elevador de Teatro Panorâmico desenterrou o conto da Ilha Desconhecida. Com uma seriedade velada o texto passa por infantil e foi um primeiro grande passo para a companhia que ganhou prêmios merecidos sob tutela do diretor Marcelo Lazzaratto. Na época não sabia bem se o dom era do Marcelo que é um dos mais brilhantes encenadores que conheço ou se o texto era realmente sensacional. Ambas as alternativas são corretas.
No mesmo ano e no mesmo teatro Sérgio Cardoso em São Paulo assisti ao grande sucesso 'O Evangelho Segundo Jesus Cristo' com um Thiago Lacerda de dorso nu e uma Maria Fernanda Cândido pós Esperança. Poucos iam interessados no texto e muitos saiam sem ter reparado nos atributos dos atores.Conclusão: muito prazer sr. Saramago!
Resolvi então comprar meu primeiro Saramago: 'Ensaio sobre a cegueira' que me foi recomendado pela minha professora de português na faculdade de jornalismo. Sem obrigação de nada. Sempre fui dessas alunas péssimas de matemática mas que devoravam um livro por semana. No meu caso foi muito melhor ser assim.
O início foi difícil, mas, insisti. Estava numa época intelectual voltada à Portugal. Lembro que não muito tempo antes acabara de assistir ao ótimo filme 'Capitães de Abril' que fala sobre a Revolta dos Cravos, aquela única da história que em vez de tiros colocou cravos em canos de revólveres e assim derrubou Salazar em 1974. Então a descrição de Lisboa estava muito viva na memória. Faz jus ao: para viajar basta ler.
E então, totalmente inserida no universo lusitano fui para 'Todos os Nomes'. Meu preferido. De longe! Fantástico. Um dia ainda vou fazer um filme desse livro. A narrativa de Saramago é tão impressinante que podemos sentir os cheiros. Tive essa sensação também em 'Ensaio...'. Maria Bethânia disse que música é perfume. Livro também.
Quanto ao filme 'Blindness' tenho minhas ressalvas embora saiba do valor que tem. É uma obra Holywoodiana segundo escalão. Escrita em português, dirigida por brasileiro. Filmada em todos os lugares (Tokio, Canada, Brasil, Estados Unidos, México)e em lugar nenhum. Atemporal, Alocal. Como seu dono. Ou melhor: progenitor.
O mundo ficou mais burro...