segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A volta dos que não foram...

Só pareceu que o Santa estava aposentado... só pareceu...

Tanta coisa que parece mas não é...

domingo, 31 de outubro de 2010

E tudo acaba em Pisa!

E sabe por que? Por que 'Eu não me ufano'*! Porque eu me ufanei quando o Lula ganhou e percebi que tem gente pedindo esmola com o chapéu dos outros. E falando mal do dono do chapéu!
Então, agora que todo mundo come, tem tv e geladeira e muitas vezes um carro na garagem, realmente se pergunta: para que fazer faculdade? Ou melhor: Para que estudar sendo que agora todo mundo faz faculdade, só não faz quem não quer mesmo?
Os incomodados viraram acomodados e os ainda incomodados que se retirem, não é? Então, como dizia um jargão na época da ditadura (a militar), 'os incomodados que se retirem e o último por favor apague a luz do aeroporto'. Acredito que sejamos quase 45% de incomodados.
Como disse uma colega, pelo menos o transito de São Paulo ia melhorar bem. Aliás, qualquer semelhança com épocas já citadas.. é mera coincidência!



* O jornalista Daniel Pisa é autor da coluna 'Por que não me ufano' todos os domingos no Caderno 2 do Estadão.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

GOSTO NÃO SE DISCUTE!

Gosto no aeroporto, se for beeeeem grande
Eu gosto na bancada do quarto, enfrente a janela, acho chic.
Eu gosto no sofá, mas o melhor mesmo é no armário. Estante? Hummmm
Eu gosto na escada
Eu gosto em qualquer lugar da sala...
......hã, eu gosto em cima da cama ou pendurada
Pendurada arrasa!
Eu gosto no puf....
É que eu sou tão preguisosa... Até pra pendurar...

Não to entendendo nada. Um tal de "Gosto em cima da mesa", "Gosto atrás da porta", "Gosto...". De que "Gosto" estamos falando afinal?
Nelson Rodrigues me fez muito mal realmente!


Frases compiladas do Facebook da página de vários amigos

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Faz mal bater um papo assim gostoso com alguém?

[16/10/2010 14:22:14] 1: oioi
[16/10/2010 14:22:26] 1: vc tá bem?
[18/10/2010 22:38:08] 2: olá!
[18/10/2010 22:38:42] 1: sumimos
[18/10/2010 22:38:48] 1: Vc tá bem?
[18/10/2010 22:38:59] 2: hahaha, pois é!
[18/10/2010 22:39:57] 1: 2,
[18/10/2010 22:40:14] 1: me da mais dois dias para eu te enviar algumas coisas?
[18/10/2010 22:40:26] 1: eu quero acelerar esse trabalho
[18/10/2010 22:40:33] 1: mas apareceu um freela
[18/10/2010 22:40:34] 2: claro
[18/10/2010 22:40:38] 2: que beeem
[18/10/2010 22:40:38] 1: que tive que pegar
[18/10/2010 22:40:40] 2: claro
[18/10/2010 22:43:21] 1: sabe,
[18/10/2010 22:43:29] 1: acho legal termos outra pessoa
[18/10/2010 22:43:59] 2: por enquanto... bom vc que sabe... mas acharia bom fechar na gente
[18/10/2010 22:44:10] 2: ai a gente ve exatamente quem precisa e para que
[18/10/2010 22:44:21] 1: tb acho
[18/10/2010 22:44:23] 2: para nao ficar sobrando gente ou tendo muito cacique p pouco indio
[18/10/2010 22:44:45] 1: sempre me lembro do Karim Ainouz
[18/10/2010 22:44:49] 1: me dizer
[18/10/2010 22:44:50] 1: "cara
[18/10/2010 22:44:58] 1: eu tenho dez projetos na manga
[18/10/2010 22:45:03] 1: um vinga"
[18/10/2010 22:45:05] 1: rsrsrs
[18/10/2010 22:45:06] 2: boa! eu sou desses tb
[18/10/2010 22:45:23] 1: eu so preciso terminar esse trampo
[18/10/2010 22:45:49] 2: sim
[18/10/2010 22:46:36] 1: vc sabe que eu comecei um curso
[18/10/2010 22:46:48] 2: sim! vc comentou
[18/10/2010 22:46:52] 1: que está sendo sensacional
[18/10/2010 22:46:56] 2: que legal!!!
[18/10/2010 22:47:10] 1: comecei a rever tudo que havia lido
[18/10/2010 22:47:21] 1: 2,
[18/10/2010 22:47:31] 1: estou fazendo a transcricao das aulas
[18/10/2010 22:47:36] 1: depois te passo tudo
[18/10/2010 22:47:40] 2: sensacional
[18/10/2010 22:47:43] 2: adoooro!
[18/10/2010 22:47:58] 1: tem aulas que eu saio com lagrimas nos olhos
[18/10/2010 22:48:01] 1: cinema
[18/10/2010 22:48:03] 1: roteiro
[18/10/2010 22:48:08] 1: tudo está mudando
[18/10/2010 22:48:12] 1: e mudando radicalmente
[18/10/2010 22:48:46] 2: é tão, tão sensacional quando algo consegue nos 'causar coisas', tipo transformações, tipo 'virar uma chave', 'cair uma ficha'
[18/10/2010 22:48:59] 2: muitas vezes de coisas qu vc já sabia mas que a chave nao tinha virado
[18/10/2010 22:49:16] 2: tipo, eu faço teatro desde a escola, pelos 10 anos de idade.
[18/10/2010 22:49:25] 1: com certeza
[18/10/2010 22:49:39] 2: eu fui fazer um intensivo com a Tiche Viana, de clown e commedia Del Arte em 2003
[18/10/2010 22:49:42] 2: meu deus!
[18/10/2010 22:49:46] 2: que dificil que foi
[18/10/2010 22:49:50] 2: e que chave que virou
[18/10/2010 22:49:55] 1: que bacana
[18/10/2010 22:49:57] 2: parece que eu subi uns 50 degraus
[18/10/2010 22:50:02] 2: e eu consegui, sabe?
[18/10/2010 22:50:04] 1: era algo que eu gostaria de ter feito
[18/10/2010 22:50:14] 2: foi muito divisor de águas na vida
[18/10/2010 22:50:19] 1: é a mesma coisa que está acontecendo agora
[18/10/2010 22:50:35] 1: telefone
[18/10/2010 22:50:35] 2: é uma das melhores sensações para quem gosta de abrir horizonte
[18/10/2010 22:50:37] 1: ja volto

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BON BON


Ontem saldei uma divida com o passado. Uma divida de 15 anos!
Eu devia estar pela casa dos 13 anos quando o Bon Jovi esteve aqui no Brasil. Lembro que na época eu estava apaixonada pelo Brad Pitt em 'Lendas da Paixão' e tinha um outdoor enorme na avenida Paulista ali na esquina com a Augusta que eu ficava babando.
A grande balada era andar na Avenida Paulista com os amigos. Faziamos aquele trajeto umas três vezes por domingo que era o dia liberado para isso. E então anunciaram para o mesmo ano os shows do Michael Jackson, da Madonna e em seguida do Bon Jovi.
Obvio que eu resolvi ir no Bon Jovi. Só podia escolher um e tinha que ir acompanhado de algum responsável (entenda-se pai ou mãe).
Não foi dificil descolar os responsáveis para os dois primeiros shows, mas, para Bon Jovi era quase se hoje fosse o Jonas Brothers, ninguem achou que fosse durar mais do que o Guns'n Roses ou que o Soulasylum do igualmente gato David Piner (que namorava a Winona Ryder que tinha acabado de fazer um filme com a Cher que era o maior barato).
Por algum motivo de força maior ainda que conseguir um pseudo-responsável aventureiro eu não fui. Não lembro exatamente o fato mas uma vaga lembrança me remete a um boletim todo vermelhinho.... em pleno 4o bimestre... ou algo do gênero. As forças maiores lá de casa me prometeram que se eu passasse de ano (veja em que nivel de esperança eu estava) eu poderia ir no show dos Stones que iam tocar no Hollywood Rock no inicio do ano seguinte.
Ninguém acreditou mas eu passei de ano. E fui nos Stones. E fui denovo e denovo em Copacabana que esse sim foi o show da minha vida. E ontem, acertando as contas com o passado em um Morumbi lotado, o que mais gostei foram as mesmas músicas de quinze anos atrás...


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Borderline?

E eu que já vesti camiseta dos 'Sem Terra' e passei quase uma semana em um assentamento em Itupeva tomando água barrenta e comendo o porco que eu mesma via matar e pelar e ficar rodando na fogueira hoje admito sem vergonha: eu tomava vermífogo diariamente com medo de pegar 'coisas'. Até de outro mundo.

E acho estranho que hoje eu esteja muito mais confortável dançando 'Material Girl' ('cause we are living in a material world') indo contra tudo aquilo que meu pai sempre quis passar aos filhos na balada mais cara da cidade, onde qualquer coisa menos que um jaguar é carroça, pelo menos uma vez na semana.

E o pior é que eu, que já fui a passeatas pró cultura e já disse 'Hay gobierno soy contra' hoje voto abertamente na Marina (a candidata dos modernos, segundo dizem) e concordo com o Plínio (que eu brinco com minha vó de 90 anos que é um 'partidão' do partidão) que ao deparar-se com a falta da Dilma no debate da Tv Gazeta disse 'a moça não está presente'. Parece que a 'moça' tinha virado avó e por isso não compareceu. Podia ter avisado, não?

Pois eu, que admirava a 'moça' antes de virar a 'monstra' não fui questionada sobre se iria ou não votar nela. Assim como meus amigos, meus funcionários, meus parentes, meus colegas de trabalho. Tanta gente tão diferente que eu conheço. O censo está levando em consideração? Não me perguntaram e nem a eles. E como se explica esses 50%?

Lá em cima. Lá onde costumam dizer 'na falta de farinha meu pirão primeiro'.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

L' AMOUR

'Sonhadora, ela viu se afastarem os passos do homem ao lado de quem ela se sentia cada vez mais segura e ao mesmo tempo em grande perigo. Pouco dada a analises, procurava destrinchar as causas dos sentimentos contraditórios que a assaltavam. Ele me assusta. Mas como sou idiota! Porque teria medo dele? Nunca fez nada que justifique tal angústia. Será que eu tenho medo de que não me ame? Que me deixe? Tenho medo disso, é claro. Mas sinto que essa não é a verdadeira causa. É algo quase físico. Tremo de medo quando ele me trata como meu anjo. E, no entanto minha atração por ele é tão forte que o seguiria para onde quer que fosse. Mas... e ele? Diz que me ama sempre que nos encontramos, salta em cima de mim sem mesmo se dar ao trabalho de me dirigir a palavra a não ser para dizer: Venha... eu a quero.'

'O Sorriso do diabo - Régine Deforges'


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pai que é pai...

O dia dos pais está chegando. Resolvi listar alguns 'pais' do meu subconsciente (coletivo). Acrescentem nos comentarios!

1o. Lugar = Hommer Simpson.

O típico pai da classe média americana (? - cerveja e televisão) é universal quando se trata de entender o que se passa a sua volta. Ou seja: nunca entende nada!

2o. Lugar = Gaspar Kundera

Fantastico personagem de Nuno Leal Maia na Top Model, tinha uns 500 filhos e morava com eles (que tinham nomes de ícones pop), o cachorro Maradona e uma babá tipo Mary Poppins numa casa meio palafita, sensacional, ultra-ecológica, na praia e todos pegavam onda juntos!

3o. Lugar = O pai do Sean

Lembra da historia do garoto americano que veio para o Brasil com a mãe escondido do pai dele, aí a mãe morreu e já tinha casado e tido uma filha com outro cara? Então, enquanto muitos pais usam a desculpa de 'ele fica com a avó...', o pai do Sean foi atrás mesmo, durante anos, travou uma briga diplomática entre Brasil e Estados Unidos e por fim levou seu filho de volta para casa.

4o. Lugar = William Bonner

Ou você não acha que aquele 'onde está você Fátima Bernardes?' na verdade não é um pedido de socorro?

Coloquem os seus! Não vale colocar o próprio pai ou se colocar.

Marofas,

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dos 20 aos 30...

Marcela era roqueira. Andava com cabelos desalinhados e calça rasgada. Pegava ônibus ouvindo Soul Asylum. Hoje é dondoca. Casou-se com um advogado, tem dois filhos, não trabalha e dirige uma perua. Tem duas babás que permitem suas idas semanais ao cabeleireiro e vários cartões de crédito para sua toalete fina.
Carolina queria casar. CDF sempre foi uma excelente aluna. Nunca ousou. Formou-se em química (que era sua materia preferida), trabalhou por cinco anos na mesma industria com seu namorado, futuro marido. Tomou um pé, pediu demissão, foi pra Londres. Tingiu o cabelo de roxo, fez uma tatuagem e colocou piercing. Voltou para o Brasil e hoje é professora de Ensino Fundamental.
Rafaela namorava Marcelo. Há anos. Tinha uma familia perfeita. Sonhava em ser jornalista e mudar o mundo com suas idéias. Seus pais se separaram, seu mundo caiu, ela não comeu e adoeceu. Saiu do hospital direto para São Paulo onde fugiria de tudo e trabalharia em um grade jornal. Virou designer. Após anos trocou de emprego, virou chefe. Viaja o mundo. Ganhou a vida e nunca mais arrumou um namorado como o Marcelo.
João queria fazer cinema e politica. Prestou vestibular e entrou nas duas. Largou o cinema pela politica. Ou melhor, pelo DA da faculdade. Foi jubilado. Voltou. Viajou dois anos e se desiludiu com o mundo. Ficou deprimido. Viveu tempos só de mesada do pai, com quem não fala. Fez pós-graduação desmotivado. Virou diplomata. Mora em Brasilia.
Fabiana morava em Santos, pegava onda e fumava maconha na praia todo dia. Gostava de ler, já tinha namorado alguns garotos e trabalho não era sua área. Começou a fotografar o por-do-sol no Canal 4. Depois, as pessoas e o que mais aparecesse pela frente. Arrumou o emprego dos sonhos por influencia do padrasto: fotografa de navio. Viajou o mundo. Voltou fotografando, lendo fumando maconha e lésbica. Hoje é funcionária pública com muito orgulho.
A pessoa é para o que nasce??

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sem enrolação


Acredito que houve um hiato na produção direcionada ao público adolescente desde os primórdios de Malhação. Lá no começo, me parece que o programa falava com o seu público, depois,se perdeu. Eu que faço parte da geração 'Confissões de Adolescente' ontem tive a satisfação de assistir ao 'Desenrola' da Rosanne Svartman no Festival de Paulínia.
O filme é tão gostoso que nos faz voltar às salas de aula do colegial (ops! Ensino Médio). Azaração, zoeira com a galera, turma do fundão, as populares, os nerds, os papos de corredor, as noias adolescentes que impossível não se identificar. O melhor é que em momento algum o filme faz pregações politicamente corretas. Me pareceu bem próximo da realidade.
E divertido, leve, como não se via no cinema jovem nacional acredito que desde 'Garota Dourada' nos primórdios da década de 1980. Aliás, a década é bem presente no filme, tanto pelo elenco convidado como Claudoa Ohana, musa total da geração, Leticia Spiller que foi o sonho de muita garota porque era paquita e depois casou com o galã da década Marcelo Novaes, que também faz participação. As referências aos livros e aos discos e aos shows!
A relação com os pais que eram os adolescentes de 'Garota Dourada'e que viviam os mesmos dilemas e... 'será que eles esqueceram como era ter 16 anos?' Está provado para nós espectadores que eles já tiveram.
Cabe lembrar que nessa 'sêca' juvenil cinematográfica temos um levíssimo respiro com 'Houve Uma vez dois verões' do Jorge Furtado, mas, infelizmente foram poucos os que viram.

Marofadas:

- Várias, na praia em um luau!



Serviço:
Filme 'Desenrola' de Rosanne Svartman

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Soneto do Conselho - by Rafa Nygaard

"Se eu fosse você, meu camarada
Não ficaria achando que tudo vai dar em nada
Que a dela foi mais uma roupa amassada

Se eu fosse você, meu camarada
Pensava com calma
Pois esta sim pode ser a sua bem-amada

Ah, se eu fosse você, meu camarada
Eu mandaria flores
Escreveria cartas de amor (ridículas*)
Esqueceria seus tolos temores

Mas como não sou você, meu camarada
Me resta dizer que tudo que é bom tarda
Mas uma hora chega
E agora não vá você, meu camarada, fazer outra grande trapalhada!"

Grande Rafa! Essa é das minhas!

O que você levaria na mochila?


Imagine que você tem que colocar sua vida em uma mochila comum. Olhando à sua volta você começa pelas estantes: vão os livros, CDs, DVDs, talvez um notebook com documentos importantes tenham eles o teor que for, algumas fotos, bibelôs diversos trazidos de viagens ou de momentos marcantes. Aí você passa para as gavetas: roupas diversas para todas as estações diferentes tamanhos e cores, cada uma de uma época, muitas que nem servem mais mas fazem parte da sua história. Aquele frasco de perfume, seus tratamentos de beleza sem os quais não pode viver. Até que você chega nas coisas grandes e que lhe custaram anos de trabalho para conquistar: mesa, cadeiras, geladeira, televisão... seu carro.

O peso dessa mochila começa a ter significado sob seus ombros. Imagine que se você for realmente carregá-la para fora de casa, é melhor nem fazê-lo, pois, está realmente pesada e seu conforto torna-se um fardo. Então em um momento de fúria você joga essa mochila fora, queima. E tudo se perde.

E você percebe que os livros, os CDs, os DVDs, o notebook, as lembrancinhas de viagem continuam lá. Que roupa, basta a que você está vestindo e que os elefantes brancos não passam de elefantes brancos.

O que valeu disso tudo foram as idéias contidas nos livros, as músicas do CD, os filmes do DVD, o cérebro matemático e lógico do notebook (mas você tem o seu!), as recordações das viagens, o cheiro do perfume que te lembra aquela música que te lembra aquele dia que te lembra aquele lugar e que te faz gostar mais daquela pessoa.

Fotos? São lindas e perfeitas para quem não tem memória. Foto tem no máximo cor. Foto não tem cheiro, não tem gosto, não tem sentimento. Transmite, mas não tem. O que transmite na verdade é a recordação que ela tras.

Agora imagine a mochila novamente vazia e nela você só pode colocar o sentimento. Então você não coloca mais a música, você coloca o namorado. Você não coloca mais o casaco de lã feito pela sua avó, você coloca a sua avó. Você não coloca mais um livro emprestado pela sua irmã, você coloca a sua irmã. E por aí vai: mãe, pai, amigos queridos, uma babá, uma professora, uma paixonite, um amor louco, um caso importante, um primo perdido, um tio, e por aí vai.

O peso da mochila seria muito maior.

Mas por se tratar de sentimento e este não conter peso físico e sim virtual a sua mochila fica leve e você fica mais livre. Leva consigo apenas o que não pesa. Mas que é essencial.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Atemporal e Alocal


Tudo aconteceu muito rápido. De repente a noticia: o Saramago morreu! Remeto a 2002. Meu primeiro contato com o autor. Havia terminado a escola de teatro a cerca de um ano e, como de praxe, os jovens atores recém formados tinham o sonho de 'não ser mais um', 'não ser mais um rostinho bonitinho' e, 'mudar o mundo com idéias'. Da batelada de formandos todos os semestres (as mesmas pessoas que são contra a 'linha de produção' e a repetem), um grupo de destacou e realmente fez coisas bacanas. Ainda faz, embora o grande sonho de muitos hoje em dia seja apenas 'ser mais um' ou apenas 'um rostinho bonitinho'. Já o mundo, esse não muda tão fácil assim.
A Cia Elevador de Teatro Panorâmico desenterrou o conto da Ilha Desconhecida. Com uma seriedade velada o texto passa por infantil e foi um primeiro grande passo para a companhia que ganhou prêmios merecidos sob tutela do diretor Marcelo Lazzaratto. Na época não sabia bem se o dom era do Marcelo que é um dos mais brilhantes encenadores que conheço ou se o texto era realmente sensacional. Ambas as alternativas são corretas.
No mesmo ano e no mesmo teatro Sérgio Cardoso em São Paulo assisti ao grande sucesso 'O Evangelho Segundo Jesus Cristo' com um Thiago Lacerda de dorso nu e uma Maria Fernanda Cândido pós Esperança. Poucos iam interessados no texto e muitos saiam sem ter reparado nos atributos dos atores.Conclusão: muito prazer sr. Saramago!
Resolvi então comprar meu primeiro Saramago: 'Ensaio sobre a cegueira' que me foi recomendado pela minha professora de português na faculdade de jornalismo. Sem obrigação de nada. Sempre fui dessas alunas péssimas de matemática mas que devoravam um livro por semana. No meu caso foi muito melhor ser assim.
O início foi difícil, mas, insisti. Estava numa época intelectual voltada à Portugal. Lembro que não muito tempo antes acabara de assistir ao ótimo filme 'Capitães de Abril' que fala sobre a Revolta dos Cravos, aquela única da história que em vez de tiros colocou cravos em canos de revólveres e assim derrubou Salazar em 1974. Então a descrição de Lisboa estava muito viva na memória. Faz jus ao: para viajar basta ler.
E então, totalmente inserida no universo lusitano fui para 'Todos os Nomes'. Meu preferido. De longe! Fantástico. Um dia ainda vou fazer um filme desse livro. A narrativa de Saramago é tão impressinante que podemos sentir os cheiros. Tive essa sensação também em 'Ensaio...'. Maria Bethânia disse que música é perfume. Livro também.
Quanto ao filme 'Blindness' tenho minhas ressalvas embora saiba do valor que tem. É uma obra Holywoodiana segundo escalão. Escrita em português, dirigida por brasileiro. Filmada em todos os lugares (Tokio, Canada, Brasil, Estados Unidos, México)e em lugar nenhum. Atemporal, Alocal. Como seu dono. Ou melhor: progenitor.
O mundo ficou mais burro...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Fato

Fato é que ele realmente chamou atenção. Primeiro porque foi pseudo confundido com um amigo, namorado de uma amiga. Pseudo porque quando se está fazendo abdominais no chão e o bebedouro lhe parece de ponta cabeça a ponto que o topo da cabeça de quem bebe água ser o queixo, até o Gianechini pode ser confundido com o Tiririca.
Fato é que eu sabia que aquele rosto do avesso parecia familiar. Não era de todo estranho. Não era o Tiririca com certeza tampouco o Giane, mas era.... vai, puxa pela memória (odeio isso! e isso sempre acontece nessas horas!). O pior é dar aquele 'oi' de longe e ficar no vácuo ou não dar o 'oi' e passar por metida. E essa fama é facílima de pegar. Derrepente a memória volta! 'Chô daqui, velho alemão! Ainda não!'.
Fato é que não era o tal namorado da amiga. Mas era bem, viu. Tipo: parabéns, vai lá em casa! Ele tinha os fones brancos no ouvido denunciando que ouvia música, a camiseta da Medicina Santa Casa Suada e na orelha aqueles pontinhos de sementinhas que o acupunturista coloca. Como Alice sempre diz, começam a sobressair, assim, naturalmente, os pontos em comum:
a) Ponto em comum forçado: 'eu também estou ouvindo Ipod aqui na academia!'
b) Ponto em comum de verdade: 'eu também tenho um irmão que faz Medicina!'
c) Ponto em comum fora de série: 'eu também faço acupuntura auricular!'
Fato é que Alice é bem inocente, embora sempre com o pé atrás: Acorda Alice! Eles gostam de sair por cima sempre. Eles são os machos provedores. Então, deixa pra lá o fato do Ipod dele ser shuffle e ele ter ficado secando o meu (que por acaso estava perfeitamente encaixado no meu top) e também o fato do irmão ser da Usp e não da Santa Casa.
Fato é que na hora que o pé está gelado nas noites de frio, ninguém liga pra isso.

PS: Baseado em 'Aqui, do lado' texto de Vincent Delerm com tradução do Roberto Borges que esntrará em cartaz em setembro de 2010 no Teatro Imprensa (São Paulo) sob direção de Otávio Martins e produção da Baobá

Para acalmar os corações:


sábado, 12 de junho de 2010

Luizão para o Dia dos Namorados

Uma breve interpretação do Dia dos Namorados:

"Ela só quer, só pensa em namorar...
E ele?
Ele tá de olho é na 'butique' dela, ele tá de olho é na 'butique' dela
(cuidado meninas!)"

domingo, 6 de junho de 2010

'Ô do sushi, suspende o pepino que a gente já deu'*

Tem um sentimento extremamente feminino que atinge a todas aquelas que já fizeram muito por alguém que não deu valor. Ou pior: sabe o valor que tem, mas, se julga incapacitado para suportar isso. Essa coisa tipicamente masculina de não admitir que errou, que gostava do que tinha, que tem medo não enfrenta. E que fica em cima do muro. Pra sempre.
Esse sentimento cíclico que começa com o mundo caindo no momento em que se percebe que o príncipe virou um sapo, segue com choros convulsivos. Em questão de dias, uma raiva incontrolável, primeiro do ser causador e depois do ser causado (no caso a própria pessoa). Vontade de bater a cabeça na parede é o que não falta. Então o tempo passa.
Mas aquela 'pulguinha' fica atras da orelha. Algumas encontram o outro com frequencia e no rosto sempre um sorrisinho falso e uma vontade enorme de gritar: seu babaca! Mas como pessoas civilizadas controlam-se (aliás, reparou como as civilizadas estão sempre solteiras?). Até que um dia a oportunidade surge.
Aquela 'revolta' está mais controlada mas precisa estravazar. E, quase sem querer, em um plano mirabolante quase sempre com participação de amigas 'brother', damos o troco. E, como diz a propaganda: ver o queixo dele cair e fazê-lo esquecer que ao seu lado tem uma 'outra'... não tem preço!
E para todas as outras feminices existem os mais variados tipos de cartão de crédito aceito dos melhores aos piores cabeleireiros, centros de estética e cursos vapt-vupt!

* Frase proferida na madrugada, no Yoi! da Vila Madalena após meia garrafa de Chandom.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

La Belle du Jour!


O fim de noite hoje foi coroado. Fanny Ardant no Roda Viva. Eu adoro o charme francês que não tem nada demais. Simplesmente falar sem alterar o tom de voz e com um leve sorriso nos lábios seja para dizer grosserias sutilmente seja para dizer algo tão simples que parece imensamente profundo. Tudo bem que quando é para 'soltar os cachorros' ninguém melhor que um bom barraco francês também.

Fanny foi por duas vezes Maria Callas, uma no teatro dirigida por Roman Polanski e outra no cinema. Sobre os últimos episódios envolvendo o diretor, afirmou para o entermediador Cunha Junior que o episódio da prisão por envolvimento sexual com uma menos de idade mais d euma década depois é vergonhoso para os Estados Unidos (onde foi proferida a sentença) e para a Suiça (onde ele foi preso).

Em finais da década de 1970 conheceu e se envolveu com o diretor François Truffaut com quem inclusive teve sua segunda filha, Josephine, e com quem ficou até a morte do diretor em 1984. Foi com Truffaut também que ficou no imaginário masculino (e convenhamos, feminino também) como uma das melhores cenas de amor do cinema mundial no filme 'La femme d´à cotê' (A mulher do lado) com ninguém mais ninguém menos que Gerard Depardieu (que hoje é o ótimo Obelix da saga Asterix&Obelix no cinema, mas, já foi galã).

São muitos os monstros sagrados com os quais trabalhou. Entre os maiores estão François Ozon ('8 Femme'), outros de Truffaut, Alain Resnais ('La vie est um roman', 'Mélo'), Ettore Scola ('La Familia' e 'La Cena'), Agnés Varda ('Siódmy Pokoj'), Jean-Jacques Adrien, Sydney Pollack, entre outros. Segundo a atriz que também é cineasta, 'o cinema é em partes e no teatro o espectador tem que ver o personagem inteiro, portanto, hoje em dia, que somos de gerações de cinema e televisão, não se deve fazer peças para mais de duzentas pessoas, o teatro tem que ser intimista'. Disse também que sua arte é o cinema.

Mas a grande frase que ficou foi quando mencionou que se não fosse atriz gostaria de ter um salão de beleza, o que gerou 'risadinhas' típicas de quem pensa pequeno. Ela não deu risada. Na verdade nem entendeu porque riam e do que riam. Afinal ser cabeleireiro aqui é desejo de quem pensa pequeno, certo? Não sei. Não concordo. Se não houvessem os cabeleireiros não haveriam as madames, não haveriam tendências de moda, seriamos todos iguais. Enfim, essa é outra discussão. Eu acredito que ser cabeleireiro também é uma forma de expressão. Basta lembrar de Coco Channel (que inclusive foi interpretada por Ardant no teatro e por aqui teve tradução de Maria Adelaide Amaral para Marília Pêra). Ninguém acreditava que uma mulher poderia ditar moda confeccionando chapéus.

Em seguida a cineasta Laís Bodansky (que Cunha Junior apresentou antes de sua primeira pergunta merecidamente com pompas e honras) comentou o ocorrido. E solicitou à entrevistada que falasse da condição da mulher, ao que ela respondeu que embora tenha vivido no ápice do feminismo, isso não a atingiu e muitas a recriminavam por isso. Disse que vem de uma familia de homens exemplares e que jamais foi embutido em seus pensamentos e em sua formação a competição homemXmulher. E que ela admira muito as mulheres que nessa época 'peitaram' não trabalhar fora para cuidar de seus filhos e de seu marido, ou, como ela mesma disse, 'do homem que elas amam'. E começou a chorar emocionada.

Cunha Junior pediu um intervalo e deu um tempo para essa amante de Margueritte Duras respirar.

domingo, 30 de maio de 2010

O quarteto fantástico de *NYC*


Como não podia deixar de ser toda a população feminina e gay vai conferir 'Sex And The City 2' mais cedo ou mais tarde. Da minha prima de 12 anos à uma senhora na casa dos 80 que estava sentada ao meu lado na platéia do Unibanco Arteplex no Frei Caneca (ou Frei Boneca, ou Gay Caneca, ou ainda Gay Boneca). Aliás não haveria local mais providencial para assistir ao filme, primeiro porque eu pago meia entrada com Itaucard (sem querer fazer propaganda) segundo porque o filme começa com a cena do casamento de Stanford (o melhor-amigo gay de Carrie) com Anthony (o melhor-amigo gay de Charlotte).
A melhor cena do filme no entanto acontece logo no inicio: uma impagável Liza Minelli rouba a cena cantando e dançando 'All the Single Ladies' tal qual Beyoncèe. A cena é grandiosa, além de ser um casamento. Fosse eu a diretora, utlizaria essa cena no final. Última cena. Casamento e música para todo mundo sair dançando.
Já no 'Sex And the City - O Filme (1)' a trilha sonora é muito boa. Neste começa com 'Empire State of Mind' do Jay-Z e Alicia Keys, atual hino nova iorquino, está para a Big Apple como 'Sampa' do Caetano Veloso está para nós, paulistanos. Outra que chama a atenção é 'I am womam!' canatada pelas personagens em um karaokê em Abhu Dabhi (sim, elas vão parar lá e não é forçação de barra não). É obvio o motivo pelo qual a musica foi colocada, ela é outro hino dessa vez à proteção da 'voz' feminina, dos direitos da mulher.
O filme é cheio de referências e tem uma preocupação em mostrar essa questão de 'ter a voz'. No momento que 'I am womam' é interpretada, a personagem assexuada workaholic Miranda acaba de pedir demissão de seu emprego e o motivo principal é seu chefe não deixá-la expressar suas idéia e pontos de vista. De querer mantê-la calada. Em outros momentos isso é debatido também e chegam inclusive ao comentário de que os homens acham muito bonito uma mulher que trabalha e vai a luta, mas, as funções domésticas e os filhos são responsabilidades delas também. Não dá para dividir. E a gente sabe que em 95% das vezes é isso mesmo que acaba acontecendo.
O filme é sim uma comédia, é romântico e é inteligente. Samantha está engraçadíssima entrando na menopausa, Carrie começa a questionar tudo que sempre quis (o que praticamente se resume a Mr. Big), assim como Charlotte (casa com filhos e marido) e Miranda (uma super carreira profissional).
Pena as traduções e legendas serem tão precárias, pois perdem-se algumas piadas. A melhor:
Charlotte pergunta para Carrie se existe alguma lei (law em inglês) que mande sua babá usar sutiã (pois a jovem tem arrancado olhares dos maridos). Carrie responde que há uma lei (law) a Jude. Jude Law.
Para quem acompanhou o caso do astro com a babá de seus filhos, entende.
Vale cada marofinha!

Assita esse vídeo para sacar a música 'I am womam'.



segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sertanejeando

Eu disse que não era para se apaixonar, que era só para a gente ficar. Eu te falei, meu bem. Eu te avisei! Você atirou bem na minha direção e acertou bem no meu coração! Meteoro da paixão! Explosão de sentimentos que eu nem pude acreditar!
Quando é amor, não tem razão. O que importa é bater no coração. Larga tudo e vem correndo! Não há disfarce nesse seu olhar que não incendeie meu coração.
O que será esse amor? Só as estrelas dirão.Você está bagunçando o meu coração!
Eu vou mimar você até quando eu puder, se isso é um defeito você pode até pedir para eu parar, mas, isso é tão bom! Eu cuido de você, você cuida de mim. Eu não sou seu problema! Eu sou a solução!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Por que os vilões são sempre os mais sedutores?

Não é de hoje que a marginalidade é altamente sedutora. Não precisa ser bandido propriamente dito, basta ter um 'quê' de rebeldia. Que o diga James Dean que marcou uma geração ao chegar em casa de calça jeans, abrir a geladeira e beber um litro de leite no gargalo (cena de Juventude Transviada). É dos malandros que elas gostam mais. Eles são sedutores porque estão sempre na tangente mas se saem bem no final, sobrevivem, dão o golpe.
Dona Flor precisou ter dois maridos ao mesmo tempo para usufruir tudo de bom que podiam lhe dar. Com Vadinho, o malandro, tinha sexo, tesão, liberdade. Com Teodoro ela tem segurança e paz...até demais! Conciliou seus desejos de esposa e mulher quando o fantasma de Vadinho passa a visitá-la constantemente (ela era viuva dele). É antológica a cena final de Dona Flor com seus dois maridos descendo a ladeira do Bonfim em dia de procissão:



Mas esse assunto me veio a cabeça porque hoje, como boa noveleira assumida que sou, assisti a mais um capítulo de 'Passione' (ô nomezinho ruim...) do Silvio de Abreu que eu amo! Que falta estava fazendo uma boa novela! E, vi logicamente o casal vilão: Clara e Fred. Os dois quase nojentos chegam à mansão onde ela finge ser enfermeira num Gol que minha mãe tinha nos idos de 1985 e antes. Acabado e caindo aos pedaços. Ninguém imagina que ali dentro está... Reynaldo Gianechini. Com Mariana Ximenes. Aliás, ele que se cuide pois ela proete dar show.
Os dois são o casal com mais 'fogo' de todos, se comem pelos cantos e estão simplesmente lindos. Então, só pensando recentemente, pensei em Flora (Patrícia Pillar), a melhor vilã, linda. Eu até votaria no Ciro para ela ser primeira dama. E, minha chará Laura (Cláudia Abreu) que fazia um par sensacional com Márcio Garcia. Coroando todos, a Bebel da Camila Pitanga em Paraiso Tropical, impagável com Wagner Moura.

Se tiver tempo, assista essas ceninhas....







É isso aí....o crime, as vezes, bem vale a pena....

sábado, 15 de maio de 2010

Vai no cabeleireiro, no esteticista....


Plena Virada Cultural de 2010 em São Paulo e eu resolvi dar uma 'aburguesada'. Não fui pular no meio da muvucada como fiz outros anos, por mais que tenham dezenas de shows na madruga que eu gostaria de ver e rever como o Jairzão, os Temptations, aqueles caras que fazem cover do Abba ('mamma mia, here we go again...'), tava doida pra ver a Rita Cadillac fazendo intervenções depois do show do Magal, mas... não deu. E o motivo é simples: não consigo tentar assistir a um show enquanto as outras nem sei quantas mil pessoas em volta estão mais preocupados em 'encher a lata' no meio da rua, vomitar e ficar gritando ao seu lado.
E não venham me dizer que isso é papo de burguês. Pode até ser. 'Eu sou burguês, mas eu sou artista, e estou do lado do povo'. Só que do povo que sabe festejar sem atrapalhar a festa dos outros. Então, prefiro ir de dia. Assim os deslumbrados em passar a noite no meio da rua já nem sem aguentam em pé e ou foram embora ou dormem embaixo de uma árvore qualquer na praça da República (sem-tetos oficiais e free-lancers).
Vou de dia. Já vi shows memoráveis nas Viradas Culturais. Em 2008 assisti um show do Lobão sensacional no palco República. No mesmo ano assisti o 'Baile do Simonal', o primeiro, com Simoninha e Max de Castro, muito antes de voltar a moda. Ano passado vi no meio da Avenida São João um 'Novos Baianos' fantástico com seu 'novo' Acabou Chorare. Vi também no mesmo palco a insossa Maria Rita que me entreteu por alguns minutos.
Antes disso ainda, quando a Virada ainda se restringia a alguns centros culturais na cidade, gerenciei uma Mostra Zé do Caixão no finado Popcine da Rua Maria Antonia. E vi estréias no cinema no Reserva Cultural e no Cinesesc sensacionais. Aliás, acredito que muito do que incentivou esse movimento foram os 'noitões' do Belas Artes e as 'odisséias' do Espaço Unibanco. Eram ótimas. Estréias, filmes surpresa, música e um belíssimo café-da-manhã.
Bom, mas fato é que bem hoje enquanto ocorre a festa democrática cultural que me exclui por uma questão de conforto e seleção, fui em um dos mais burgueses teatros paulistanos e paguei. Achei que estava fazendo um excelente negócio levar minha avó, apaixonada pelo ator Rodrigo Lombardi, o 'Raj', assistir ao espetáculo estreado essa semana ao lado de Fúlvio Stefanini no Teatro Faap. 'A Grande Volta'.
O texto foi traduzido por Paulo Autran naquele fase que o tema era sempre o mesmo: duas pessoas 'quase estranhas' se encontram e tem que conviver. Foi assim em 'Visitando o Sr. Green' que fez com Cássio Scapirn e depois com Dan Stulbach, um velho rabugento e solitário é obrigado a aceitar a visita de um rapaz que quase lhe atropelou como penitência ao segundo. Em seguida veio 'O Quadrante' com Cecil Thiré onde um pintor que morava isolado numa ilha recebia um jornalista para entrevistá-lo. Me parece que depois descobria-se que eram pai e filho, ou que um foi casado com a esposa do outro, um negócio assim. Não me lembro bem, não vi, para mim o tema já tinha esgotado.
Juro que pensei que dessa vez seria um pouquinho só diferente. Não foi. Foi chato. Mas não culpo de todo o espetáculo, aliás, culpo 50% a platéia burra que o assistia. Vamos aos fatos. Vi um Rodrigo Lombardi com texto bem decorado, boas entonações, mas, querendo que cada frase fosse uma 'frase de efeito', o que não acontecia provavelmente por dois motivos, um é porque a platéia atrapalhou e outro é porque estava realmente um tom acima, forçado as vezes. Vi um Fúlvio Stefanini como sempre fantástico, natural, com as entonações na medida exata. Vi um texto fraco (desculpem, sim, fraco) e fico até com medo de dizer isso tendo em vista os montros sagrados da produção. Fúlvio Stefanini me chocou também por seu tamanho, não só a mim, está enormemente gordo.
Vi um cenário bonito, clean, inteligente e funcional. Idem para os figurinos, adereços e iluminação. Já a trilha sonora não chega a ser de todo coerente. Em minha opinião abusam de melodias judaicas. Fosse eu a diretora, a colocaria somente no final, ou mesclava com o blues que é paradigma no espetáculo. Sinceramente não vi necessidade de trilha sonora, as referencias seriam suficientes.
Por fim, o que estragou o espetáculo foi.... a platéia! Aquela 'peruada' perfumada e laqueada tossia formando uma sinfonia durante todo o espetáculo. Perdi frases inteiras graças ao pigarreado e, se não era isso, eram as gargalhadas. Eu disse gargalhadas! Senhoras e senhores, estamos tratando de um texto dramático, um reencontro de pai e filho que já começa no clímax. A peça não 'fechou' perfeitamente para mim, pois, acredito que tenha perdido bastante coisa, não ouvido pois a qualquer 'merda' (e como falavam palavrão! eu pensei que isso já era!)proclamada, a platéia vinha abaixo.
Em determinado momento o pai fala ao filho como conheceu sua esposa. Ele diz que queria muito lhe presentear e então a levou a um 'shopping' pois queria comprar-lhe um vestido ou uma roupa, mais cara, mais bacana. Ela olhou uma loja, olhou outra e por nada se interessava. Então viu uma vitrine com livros e, a contra-gosto dele, a principio, optou por 'O Jardim das Cerejeiras' de Tchekov. Ele não gostou do presenteu que lhe deu. Um vestido seria muito mais grandioso pensava. Eles então foram às margens de um rio e ela leu para ele um dos maiores classicos de todos os tempos.
Talvez se a platéia dessa noite comprasse menos vestidos e mais livros, entende-se melhor o que estava sendo dito. Mas, na realidade, ninguem vai ao teatro para entender. Ninguém paga caro para aprender nada e muito menos pensar um pouco. Ninguém aprofunda nada, fica tudo ali pelo vestido.
Talvez também seja realmente mais válido ir para o centro da cidade passar a noite tomando vinho barato para suportar o frio, e poder ver os shows que a burguesia paga caro para ver, para dizer que é culta. Muito provavelmente esses que fazem esse sacrifício entendem o verdadeiro valor da arte e cultura. E talvez também, suas gargalhadas sejam mais verdadeiras e sua festa barulhenta seja mais justa.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

domingo, 9 de maio de 2010

Cada mãe, cada mãe


E, só para não esquecer aquela fase, sugiro esse blog que é bem bacana: Mãe, já acabei!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Telesp informa.

Esse fato ocorreu aqui em casa outro dia:
Como todo bom senhor de 60 anos, meu pai nada entende de contas bacárias, cartões de crédito, computadores ou tv a cabo. Então, como na maioria dos lares, quem resolve essas pendências é a mulher, no caso minha mãe que entende tudo desses assuntos (se atrapalha um pouco no computador de vez em quando).
Depois de alguns quartos de hora 'pendurada' ao telefone para acertar uma questão com a Net ela ouve do outro lado da linha:

- Ok! Agora precisarei falar com o responsável pela linha para ele autorizar.
- Sim, mas eu estou autorizando o responsável é meu marido e está aqui do meu lado, só que ele não trata desses assuntos, sou eu mesma quem resolve tudo.
- Sim senhora, mas eu preciso que ele autorize senão não posso dar prosseguimento ao pedido e nada disso valerá.
- Um instante - ela tira o telefone do gancho e fala com meu pai que está distraído (como sempre) á sua frente - Querem que você autorize. Não fala nada, só diz sim para o que a 'mulher' falar.
(Ele pega o telefone)
- Senhor boa tarde, o senhor está adquirindo blá blá blá, blá blá blá, o senhor autoriza?
- Um instante por favor, aguarde ouvindo a musiquinha.

E começou a cantarolar!!
E cantarolou por uns instantes e disse ao fone:
- Só mais um instante que eu já vou te atender! - e continuou cantarolando (lá lá lá)

E então, quando minha mãe já entrava em parafuso de vexame via embratel ele disse para a Net:
- Ponto. É assim que vocês fazem comigo então é assim que eu faço com vocês. Agora sim, você quer que eu autorize, está autorizado. - e deu o fone para minha mãe, que sem voz simplesmente agradeceu e disse que não precisava de mais nada.

Ainda catatônica pela reação do marido, toca o telefone novamente. Era do Bradesco e chamaram por ele denovo.
- É do Bradesco - passou ela, sem nem lembrar que era banco e quem resolve é ela.
- Querem falar comigo? Aguarde só um minutinho....


Me lembrou muito isso aqui.

domingo, 2 de maio de 2010

O beijo não vem da boca

Com essa frase Inácio de Loyola Brandão intitula um de seus livros mais lidos. A geração nascida na década de cinquenta que leu o livro na sua estréia em meados de 1980 deve ter se identificado inteiramente com o personagem perdido em busca de sua nova vida interior e exterior (seja porque resolveu realmente sair de si e de sua cultura indo numa viagem aparentemente sem volta à Berlin justamente por ser o oposto da latinidade) ou seja pelo renascimento de um novo Brasil em fins de ditadura militar.
Nossa geração (nascidos por volta de 1980) pode até saber o que foi o periodo das decadas de 1960 e 1970, mas, não viveu. tem sua opiniao e vivencia se é que se pode chamar assim a partir das memorias dos pais e dos avós. Não viveu por conta propria.
Esse livro poderia também chamar 'O homem em cima do muro'. Pois é isso que o personagem faz o tempo todo. Se auto exila em Berlin, não vai atrás de seus amores, não assume os filhos.
Vale sim uma marofa. É Loyola!

"O beijo não vem da boca, vem do coração"

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Caquejando...

Tem um poeta que é o Caco Pontes. Gosto muito dos textos dele, ele é da Praça Rúsvel e tem insights sensacionais. Esse aqui é um deles:

" Xadrez, ou o confessionário do peão

Enquanto vocês querem pegar o rei
Eu quero é comer a rainha"

sábado, 24 de abril de 2010

Coisas fantásticamente verdes!

Negócio é o seguinte mulherada: cada absorvente descartável utilizado por nós 'naqueles dias' demora cerca de 100 anos para se decompor na natureza. Além do que, são feitos de algodão, cuja plantação utiliza uma série de agrotóxicos totalmente ofensivos à saúde de quem cultiva.
Há uns meses (por isso demorei para publicar isso aqui, estava em fase de testes), descobri a ONG Ipema em Ubatuba que fabrica absorventes ecológicos. Calma! Não é a antiga 'toalhinha'. São sim feitos de pano. Na verdade as 'toalhinhas' ficam envoltas em uma capa também de pano. Eu sei que esse tecido também é feito de algodão, mas, calcule a quantidade de algodão para confeccionar os absorventes que se gasta em apenas um ciclo e o quanto se gasta para a confeccionar os ecológicos que são reutilizáveis.
Sim, reutilizáveis e é aí que está a vantagem. Deve-se deixar um balde d´água sempre a postos. A cada troca você deixa o utilizado de molho (apenas em água) por algumas horas. Depois lave-o normalmente (como se lavaria roupa íntimas) e é isso. Sai tudo, é maravilha, você preserva o planeta!
Há quem diga sobre possíveis infecções e tal, mas, basta ser higiênico que não tem problema nenhum. Segue aqui alguns links de especialistas no assunto falando sobre isso. Eu aprovei!

- Os absorventes ecológicos (Blog Verde)
- O Diário de Pernambuco - Meio Ambiente

E já que estamos verdes....

Sabe aquela sacola 'sustentável' que eu tenho certeza que você tem, mas, muias vezes se esquece de utilizar? Então, mais um incentivo para deixar de usar a sacola plástica é o projeto 'Eu recusei'. Dê um clique a cada recusada!

Eu recuso!

Marofe verde!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

2+2=5

Quando você me ouvir cantar, venha, não creia, não corro perigo.Digo. Não digo. Não ligo. Deixo no ar. Eu sigo apenas porque gosto de cantar. Tudo vai mal, tudo.
Tudo é igual, quando eu canto eu sou muda, mas, eu não minto. Não minto! Estou longe e perto, sinto alegrias, tristezas e, brinco meu amor! Tudo envolta está deserto: tudo certo! Tudo certo como dois e dois são cinco.
Quando você me ouvir chorar, tente, não cante, não conte comigo. Falo. Não calo. Naõ falo, deixo sangrar. Algumas lágrimas bastam pra consolar, tudo vai mal, tudo. Tudo mudou, não me iludo. E contudo é a mesma porta sem trinco, é o mesmo teto, é a mesma lua a furar nosso zinco, meu amor.
Meu amor, tente passar pelo que estou passando agora. Tente apagar esse seu novo engano. Tente me amar pois estou te amando, baby. Eu te amo! Eu nem sei se eu te amo.
Tente usar a roupa que estou usando, tente esquecer em que ano estamos, arranje algum sangue e escreva num pano, baby: te amo! Rasgue a camisa. Enxugue meu pranto como prova de amor. Me mostre seu novo canto! Escreva num quadro, em palavras gigantes: baby te amo!
Tente aprender tudo o mais sobre sexo, pega meu livro, querendo, eu te empresto. Se intere da coisa sem haver engano, baby. Te amo! Nem sei se te amo!

Um mix de Gal, Melodia e o Rei, claro!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Família!



"Antes de morrer, nossa mãe me pediu para jurar por Deus que eu cuidaria de Miguel como se fosse um filho. Eu jurei. Assumi essa cruz. Ele é músico, boêmio. Vive dizendo que eu sou da Opus Dei e ele, da Opus Night."

Sebastián Piñera,(foto) presidente do Chile, sobre o irmão que no momento está em Buenos Aires participando de um equivalente a Dançando com as Estrelas

domingo, 18 de abril de 2010

Hein?

Ele disse:
-Vâmo?
E ela queria ter ouvido:
- Tiâmo!

sábado, 17 de abril de 2010

Que cheirinho!!!

Essa história aconteceu com D.B., jornalista renomado de um grande jornal em São Paulo, meu amigo há tempos. Não é de hoje que implico com pessoas que entram nos ônibus de viagem e vão direto ao banheiro! Com o ônibus parado! Não dá pra ir na rodoviária não? Ah! Não gosta? E porque que eu e mais 40 pessoas temos que gostar de praticamente ouvir quem está na 'casinha'?
Bom, esse meu amigo (que não sou eu!) estava indo para Assis, uma cidade no interior do estado de SP, a cerca de 8 horas no coletivo. O que, pensou ele, compensa, afinal, você pode ir dormindo, lendo e tudo muito confortável.
Lêdo engano!
A mensagem que ele mandu para a irmã, também D.B. enquanto essa fazia uma caminhada matinal comigo, dizia assim:
" (sic) Putz! Isso aqui tá insuportável! Um velho 'cagou' no banheirinho do busão! Tá matando todo mundo aqui dentro! Um gritou assim: 'Não sabia que podia levar defunto no ônibus!'. Não tem condição de ficar aqui dentro! E o cagão ainda falou assim: 'Não sabia que não podia!'".
A solução foi fazer uma parada de emergência na cidade de Araras para que o banheiro fosse limpo!
Olha a situação!
Previna isso! Estou aqui iniciando a campanha: 'Vai viajar mas não vale cagar!'
Isso dá marofa!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Clandestino!

Sozinha vou com minha dor e com meu karma, fugir é meu destino, sempre marginal. Perdida no coração dessa grande babilônia, eu sou clandestina por não ser legal. Sou como uma arraia no mar ou um fantasma na cidade, minha vida é proibida, dizem as autoridades. Mano Negra clandestina, africano clandestino, peruano clandestino, boliviano clandestino, nordestino clandestino, carioca clandestino, paulistana clandestina e a salsinha ilegal!
Adaptação do Mano Chao!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Amor, Festa e Devoção! E DEVOÇÃO!!!!

Quase uma entidade. Alguma coisa tem. Jesus Cristo tinha, Gandhi tinha, Osho tinha, aquela indiana dos abraços tem... Maria Bethânia e Roberto Carlos tem. Uma áura, quase uma religião! Sou seguidora de Maria Bethânia! Com amor, festa e... devoção!
Me arrepia. Sua voz me arrepia. Especialmente em shows e no CD 'As canções que você fez pra mim' onde ela só canta as músicas do Rei.
Pouca gente sabe, mas, foi ela quem primeiro trouxe Caetano Veloso para o Rio de Janeiro. Ele, por ter afinidade com a irmã caçula, foi o escalado pela família para vir acompanhá-la quando foi convidada a subistituir Nara Leão e Suzana de Moraes no espetáculo 'Opinião' com Zé Keti e Oduvaldo Viana Filho. Ali interpretou a famosa 'Carcará' (aquele que pega, mata e come) e deixou sua voz nacionalmente conhecida pelas várias gravações do espetáculo que foi censurado e proibido pela ditadura militar vigente na época (1968). Caetano era o irmão de Bethânia.
Um produtor que eu não lembro qual exatamente percebeu nele um cara cultíssimo e o convidou para participar em um quizz na televisão (acho que era o Flávio Cavalcanti). Dali teve oportunidade e visibilidade para inscrever suas músicas nos festivais de MPB da época até que estourou com 'Alegria, Alegria' (ou 'Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento...').
Virou então Caetano Veloso. O resto, é história.
E Bethânia sempre foi d emenor alarde mas de igual ou maior importância. Como ela mesma disse 'se Deus me deu o dom de cantar, eu vou ecoar', logo depois de anunciar que cantaria 'Senhora' de autoria de Caetano.
Outra característica interessante de Bethânia é recriar interpretações para músicas populares. Sua versão de 'É o amor' de Zezé de Camargo já é um clássico que leva o público ao delírio principalmente pela humildade em cantar uma música de cunho sertanejo o que é tido pela 'inteligentsia' como um gênero menor. Desta vez ela mais que inovou, no meio desta, interpretou.... como só ela sabe fazer.... não vou falar! Assistam ao videozinho que vale a pena. Pela interpretação! E por ser Bethânia!

Só marofe!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Não inventa!


'Programa Casé: O que a gente não inventa não existe', documentário de Estevão Ciavatta sobre Ademar Casé, avô da atriz Regina Casé me deu sono no seus 2/3 iniciais. Não só em mim, mas em boa parte da platéia do Espaço Unibanco na Rua Augusta na sessão deste 13/04/2010 às 21h na Sala 1. Foram diversos 'piscadões' até eu resolver ir no banheiro 'inventar' um xixi para acordar e ... adivinhem em quem eu quase dou de porta? Não, não é o Ademar em pessoa porque senão eu não estaria mais neste plano. Regina Casé, a própria, que confessou na abertura ter assistido ao filme que o marido fez sobre o avô apenas uma vez três dias antes desta sessão. Ou seja, a pessoa estava assistindo um documentário que o marido fez sobre a família dela e já tava lá inventando um xixi.

Com certeza tava inventando porque o meu xixi travou na hora 'h' por eu ter encontrado a celebridade nessa situação íntima, mas, deu uma boa enroladela na pia que isso deu pra sacar. De volta ao meu lugar o filme pouco tinha progredido. Dos 80 minutos de duração, cerca de 55 são de imagens feitas pelo próprio Ademar nas décadas de 30 e 40 quando alucinado por tecnologias comprou uma 16mm. Me parece que é isso pelo menos.

O filme começa com longos depoimenteos de Ademar, o que cansa, pois, a princípio, eu não sei quem ele é. Aliás, continuo não sabendo. Sei sim que foi um pioneiro do rádio e que tinha um programa popular. Mais que isso sei que foi pioneiro em publicidade e mídia mesmo sem saber que o que ele fazia mais tarde se chamaria de Marketing e que ganhou muito dinheiro com isso. Tipo um Samuel Klein das Casas Bahia.

O documentário tem imagens interessantes para quem se interessa pelo cotidiano de outrora, uma Avenida Rio Branco vazia no centro do Rio, Recife antigo, os cafés, enfim, toda a atmosfera em preto e branco. Então fala-se das migrações da família Casé até chegar no Rio no início dos anos 20 e, sei lá como, Ademar virou locutor e sei lá como, pela criação de uma propaganda para uma padaria no Botafogo ficou rico. Tenho certeza que não foi assim mas, é assim que o filme conta.

Os depoimentos pouco importam, não interessam, não acrescentam. O principal não foi falado: é um documentário biográfico e eu sai do cinema sem saber quem é o personagem, a menos que ele gostava de ser rico e não tinha muita cultura. Teve um programa de rádio que depois foi para a tv. Com? Não sei? Que programa era? Se chamava programa Casé e no início houve uma tentativa de divisão em popular e erudito que não deu certo partindo para o popular.

Qual o jingle? Não sei. Dizem que Ademar foi o inventor destes, mas, o de seu próprio programa acho que não mostraram.

Cheguei em casa e perguntei para minha avó de 90 anos sobre o personagem. Culta e tendo vivido na época, ela o conhece apenas de nome e, nao sabe do tal 'Programa Casé' que diziam fazer tanto sucesso. Mesmo tendo morado no Rio de Janeiro (em Niterói) na década de 1940.

Acredito realmente que tenha sido uma pessoa importantíssima para a mídia nacional, mas, acredito mais ainda que temos aí um tema interessante sem foco, sem linguagem e desperdiçado por mais que tenha boa qualidade técnica. Não etendi nem mesmo a frase que dá título.


Classificação por marofa:

- Vai fumar salsinha!

Não sei se estou pirando... ou as coisas estão melhorando

Acabo de chegar de uma sessão do Festival 'É Tudo Verdade' que traça um panomarama atual do filme documentário no mundo e principalmente na América Latina. Sempre frequentei essa mostra cujo curador é Amir Labaki uma pessoa que pensa cinema e vive o cinema idependentemente de seu glamour. Zita Carvalhosa que é curadora do Festival Internacional de Curtas pensa da mesma forma, aliás, os dois já foram casados e tem uma filha em comum. Dos grandes festivais de cinema aqui de São Paulo, a Mostra Internacional e talvez o Festival Mix Brasil completem os de maior renome. No entanto, Amir e Zita realmente vivem o cinema e não de seu glamour.

Em parte pela crise financeira mundial e em parte pela crise criativa os festivais tem diminuido sua demanda. Não saberia dizer se sua qualidade, mas, com certeza sua quantidade de sessões. Acredito que seja isso, afinal, há não muito tempo atrás vínhamos numa toada de documentários excelentes das safras de João Moreira Salles ('Nelson Freire', 'Santiago', 'Entreatos', 'Notícias de uma guerra particular'), do renascimento de Eduardo Coutinho ('Edifício Master', 'Jogo de Cena'), de redescoberta de Jorge Bodansky.... Agora me parece que deu uma cessada.

Me entristeceu o fato do Cinesesc não participar este ano. Me estranhou também, afinal, até o ano passado a sede do Festival era o próprio Cinesesc. Tenho um carinho particular por essa sala que foi quem me ensinou tudo sobre mostras e festivais de cinema. Não sei quem dispensou quem. Não sei sequer se alguém foi ou não dispensado, mas, para as poucas salas que ocupa esse ano, está de bom tamanho pelo número de filmes e debates. Pouquíssimas repetições.

Quase não me interessei por assistir algum, mas, como de praxe e quase por uma obrigação, fui. Escolhi à dedo 'O que não se inventa não existe', de Estevão Ciavatta sobre Ademar Casé, avÔ da Regina Casé, por acaso sua esposa.

Marofe o próximo post sobre esse assunto.

De qualquer maneira, nem que seja para não deixar a mostra morrer, pois, ela e todas as outras precisam existir em prol da cultura, aproveite que é gratuito, selecione um filme e vá! Em todas as salas e centros culturais que ocupa tem outroas opções de passeio onde se pode inclusive tomar café ou ler um bom livro.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Loyolando

Em homenagem ao Dia do Beijo!!!

"1. Foi por causa de uma frase, um olhar, um cheiro, um barulho incômodo, um esquecimento, um gesto brusco, uma comida que deixei queimar, um livro que desmarquei, o tubo de pasta que apertei demais, um brinco de sua avó que estava no meu bolso e perdi, um elevador que encrencou, um carinho que não fiz num dia de carência, ter usado o terrível pijama de bolinha, uma carta que esqueci de responder, um filme vagabundo que te levei a ver, uma mancada sem identificação, a falta de sol, a escolha de uma cor de mal gosto, uma flor que não trouxe, um peido incoveniente, o relógio que parou, uma trepada não dada por cansaço, um copo de cerveja derramado em seu colo, a meia que não combinava, um número de telefone que não soube explicar, um erro no saldo do canhoto do cheque, um ônibs atrasado, um jornal de ontem, um cigarro mal apagado num cinzeiro, os cabelos que deixei no sabonete, uma troca de nomes, o lençol mal dobrado na cama, o silêncio depois de uma reportagem suada, o não ter pego em sua mão no teatro, o olhar inadvertido que lancei, aquela brincadeira de mal gosto, uma fotografia velada, as férias goradas por excesso de trabalho, um programa de tv que não deixei você ver por causa do meu futebol, uma troca de letras, o tanque de gasolina vazio num domingo, uma resposta brusca, uma dormida no seu travesseiro de paina, um palavrão grosseiro, um sabor errado de sorvete, o suco de abacaxi de garrafa em vez do natural no Steinhagen, um assobio agudo nos seus ouvidos, um sapato que rangia, um tropeção no seu pé, uma barata que não matei, os quadros que não pendurei, o ter contado o fim do romance policial, uma tesoura sem corte, as bobagens que comprei no supermercado esquecendo o essencial, o não saber dirigir um balão, a mola do colchão que estourou cutucado sua costela, um embrulho de presente muito mal feito, um bilhete que não deixei, o gás que faltou, ter manchado sua saia nova, a geladeira vazia quando você chegou de viagem, não ter gritado 'saúde!' quando você espirrou, um susto incidental, o ter demorado para abrir a porta, o vinho que não trouxe, o recado que esqueci de dar, um lápis sem ponta, a falta de água num dia de calor, um vestido de que não gostei, ter ficado demais lendo no banheiro, uma gozação inoportuna, uma gargalhada escandalosa num momento solene, uma planta que secou, os óculos embaçados, uma rua que errei, a cara emburrada num dia de mau humor ou um beijo que só veio da boca?

2. Agora, você me odeia?!"

Ignácio de Loyloa Brandão - 'O Beijo não vem da boca'

domingo, 11 de abril de 2010

Carpinejando

"Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir. Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar. Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda. Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho. Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social. Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes. Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho. Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado. Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo. Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço. Meu maior medo é escrever para não pensar."

Fabrício Carpinejar

Esse cara me foi apresentado há algum tempo e ele é do sul, Rio Grande. Me identifico muito, mas, esse texto aí não se trata de uma fase específica deste momento. É apenas um devaneio. Uma tradução de um estado tão comum. Roubei do blog da minha amiga Fabiana Vajman cujo link está nos meus blogs preferidos aqui no site. Leiam. A grama do vizinho é sempre mais verde... a do vizinho da chacrete então, até rebola!

Marofe lendo:

Tweetts do Carpinejar e Blog do Carpinejar

Navegar é preciso

Procurei de todos os jeitos e não encontrei. Google, biblioteca... nada. Talvez seja Clarice, mas, há uma possibilidade de Adélia ou talvez ainda Drummond (acho que não). Existe um poema que o autor diz que dentre tantos leitores de suas palavras, um apenas seja 'atingido', sua missão foi cumprida. Houve diálogo (dia = dois, logos=pensamento), ou seja, dois em um mesmo pensamento. Sintonia. Identificação!
Outro dia voltando para casa tarde da noite, dando carona para uma amiga que, já comentei aqui, está ficando amiga de livros (pois nunca lhe foram apresentados corretamente) e, é leitora do blog, ela me questionou sobre porque não tornar 'escrever' minha profissão, já que, segundo ela, os textos são muito bons, contagiantes e entendíveis, de fácil identificação. Então, lhe disse que primeiramente e infelizmente porque as coisas não são fáceis assim, que o digam os milhões de escritores melhores que eu e que toparam encarar o desafio de... arrolar dividas. Sim, infelizmente mais uma vez, além de mal remunerados (a grande maioria), é a minoria da minoria que consegue publicar livros e viver disso.
A partir do momento que o seu lazer passa a ser uma obrigação já não há mais o frescor, não há mais tesão. E sem tesão, não há vida. E sem vida, não há texto, não há nada. O Jô Soares uma vez, me disse que ele chegou a um patamar raríssimo de lazer remunerado e que esse devia ser o objetivo mór de todo mundo, que todos deviam ter essa sorte na vida.
Na verdade, pra mim, a grande recompensa é que para essa amiga em especial, alguém quase traumatizado de letras (embora inteligentíssima) graças à qualidade dos nossos professores que ensinam decorar e não apaixonar, foi atingida. O que importa é que para essa pessoa tão querida e tantas outras que lêem esse blog e que eu nem conheço, um mundo se abra, mundo esse que para os sortudos como eu, se abriu lá pelos 04 anos de idade quando aprendi a ler e encontrei nos livros grandes amigos. Não importa a idade, a época, o importante é não passar por essa vida sem abrir seus horizontes. Os livros nos levam 'por mares nunca d´antes navegados', é a tal viagem do conhecimento!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

As padarias da minha vida


Aqui em São Paulo é muito comum as pessoas terem o hábito de ir para a padaria para qualquer coisa. Há muito que esta não tem apenas a função de servir alguns poucos tipos de pães. Na França padaria é chamada 'boulangerie' e o padeiro, 'boulanger'. Por ali e para uns aqui, fazer pão é uma arte. E é mesmo. Os mais tradicionais (normalmente franceses) costumam fazer o próprio 'levain' (que é uma espécie de fermentação natural) para suas receitas.
No início do século passado, com grande influência européia, as pessoas mais abastadas economicamente passavam meses e meses em viagens à europa, mais precisamente à Paris que vivia sua Belle Epóque. As viagens eram longas, pois, apenas para ir e voltar era quase um mês de navio. Quando voltavam, os brasileiros sentiam falta da baguete apreciada em terras napoleônicas. Muitos então trazaiam-na 'debaixo do braço' para que os padeiros locais acostumados com pães caseiros ou 'de roça', imitassem, ou tentassem imitar, afinal, passados alguns meses a iguaria chegava em terras tupiniquins velha, dura e um tanto embolorada.
O mais próximo que se conseguiu chegar daquilo é o que hoje chamamos de 'pão francês' e, que na verdade, não existe na França, por lá é a baguete, que só chegou aqui anos depois quando passaram a vir os 'estudiosos' de gastronomia. Muitos aplicaram suas técnicas na confecção deste alimento que teve seu maior markentig quando Jesus Christ - super star, dividiu entre os seus em sua última ceia. O super star por essas bandas pode ser o Benjamim Abhraão.
A padaria Barcelona, pertencente ao 'seu' Benjamin desde 1976 e situada na frente da Faap na Praça Vilaboim em Higienópolis é point das familias com seus carrinhos, pais e filhos voltando do trabalho e do colégio e, lógico, da 'patriciaiada' da Faap. Ali, recomendo o sensacional Pão de Pizza com tomate (fresco ou seco) enrolado. Custa R$ 3,80 e vale cada centavo. Uma boa pedida para a criançada são os pães e docinhos com carinhas de coelho, gatinho, carro que fazem o maior sucesso e estão nas nostalgias de quem cresceu no bairro.
Bem próximo tem a padaria Aracajú. Hoje mesmo o almoço foi feijoada. Segundo meu pai essa era a padaria 'mais simplória' do bairro. Pro meu pai, tudo que é 'simplório' é o melhor. Ao mesmo tempo (porque isso foi no início dos anos 1990), entre nós, adolescentes era conhecida como a 'mais barata', ou seja, 'a mais cheia de barata'.
A Aracajú mudou de mãos e sob nova direção ficou sensacional. Principalmente na parte de refeições rápidas e sanduiches. A grande pedida lá além da Feijuca de 4a. feira é o Sanduiche Primavera. Um sensacional pão integral feito na hora receado com presunto magro, morangos e rúcula, temperado com molho de mostarda. Extraordinário e caro (custa R$ 9,00), mas vale!
Em direção à Santa Cecília, na Alameda Barros quase esquina com a Brasílio Machado, a Padaria Sevilha faz o cliente se sentir em casa. No balcão as simpáticas atendentes que conhecem o bairro todo servem além de salgados feitos na hora sanduiches fresquinhos. Ali, minha pedida é um sanduiche de queijo inas derretido com orégano, tomate e alface no pão francês. De dar água-na-boca! Cerca de R$ 6,00 e não tem nome tem que descrever.

Marofe mastigando!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Já te falei que vou casar?


Aqui em casa a coisa sempre foi assim: quando alguém casa, tem que casar mesmo. Véu grinalda, padre, missa, igreja, festão com direito a tudo. Se não é assim, não casa. Se não casa fica mal falado na família. Morar junto só as almas penadas.

Um ano pelo menos de preparativos, provas de vestido, escolha de quituteiras, buffets, igrejas. Lua-de-mel é fundamental e não me venha com Praia Grande! Choro daqui, lágrimas dali, fotos de infância, recordações, carências e... um frio na barriga sensacional, afinal, em um ano, muita coisa pode acontecer, inclusive o noivo (sim, tem que noivar) ou noiva pode 'se picar', o que já aconteceu algumas vezes. Aí chora-se mais um pouco, traumatiza mais um pouco e depois acha outro(a). Sempre tem um sapato velho para um pé cansado. Não é assim?

E tudo sempre acaba se ajeitando.

O casamento foi inventado na idade média para unir riquezas. Por isso era arranjado. Ganhar terras, tesouros e conquistar mundos. Enfim, o que ainda move o mundo. A diferença é que agora a grande maioria pode escolher com quem, como, porque e quando casar. Digo a grande maioria, pois, ainda hoje, muita gente casa por pressão da família, obrigação social.

Eu, que sou avessa a formalidades, gosto da idéia do quanto mais simples melhor. Assim, uma das minhas melhores amigas que não mora no Brasil (aliás, uma das histórias de amor mais loucas que já vi, afinal, ela tinha visto o cara poucas vezes quando se mudou pro México e isso faz 03 anos), por e-mail ela disse: 'comentei que em junho vamos nos casar?'

É engraçado como algumas pessoas comunicam os passos ou acontecimentos em geral importantes da vida. No caso dessa amiga, tirando que agora ela vira mesmo mexicana, acredito que não vá mudar muita coisa (embora eu queira muito que ela mude para um apartamento maior para receber as amigas).

Lá pelos 15, 16 anos o grande medo é engravidar. Como avisar aos pais e tal? Conheci uma garota que por essa época engravidou do namorado 'persona-non-grata'. Em um almoço de domingo com os pais, o irmão mais velho e a irmazinha à mesa, soltou essa:

- Estou grávida! Passa o arroz?

A mãe enquanto pegava o arroz deixou o queixo cair. Todos em silêncio. Ela pega o prato de arroz das mãos trêmulas da progenitora e completa:

- Ah! E vamos nos casar. O fulano vai assumir tudo!

Olhou a familia estarrecida:

- Bom apetite!

E almoçou como se nada tivesse acontecido. Todos fizeram o mesmo, por falta de opção.

Já uma outra pessoa inacreditavelmente casou a pouco tempo e postou no Facebook uma foto dela com o tal, mostrando o dedo do meio (com a aliança ao lado): 'Para quem não acreditava no nosso amor'.

Perai. Mas ela casou para ela ou para os outros?

Bom, fora todas as piadinhas: 'Casamento é igual submarino, foi feito para afundar, mas, as vezes bóia', 'Casamento é igual è avenida Paulista: começa no Paraíso e termina na Consolação', fato é que é dificil ficar sozinho. Fábio Jr. que o diga.

domingo, 4 de abril de 2010

Ou isto ou aquilo (moderno).

Ou vou ou fico
Ou fico ou namoro
Ou namoro ou vou para micareta
Ou vou para micareta ou assumo

Não sei se assumo
Não sei se vou para micareta
Não sei se fico (e fico)
Não sei se vou (e vôo)

Ou isto ou aquilo!

Que saudades de Cecília Meirelles, onde as opções e escolhas pareciam mais simples!

Perto dos 30 começamos a colher o que plantamos a vida toda. Encontrar um grande amor e ter que escolher entre ficar e assumir um compromisso ou abrir mão e ir curtir mais um pouco a solteirice, já que, bem agora que conheceu sua metade da laranja, virou festeiro vip e, com isso, um monte de rabo-de-saia à disposição.
Ficar com uma ou com seis? Mais vale um pássaro na mão do que dois voando? Mesmo sabendo que os que voam estão mais livres? (e mais sozinhos).
A verdade é que levar o sanduiche para a festa, ninguém quer. Então infelizmente temos que optar. Ou isto ou aquilo!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Mas é por causa do calhambeque... (bi-bi)


Que Roberto Carlos é místico todo mundo sabe. Que eu sou fã incondicional dele, também é sabido (pelo menos pelos leitores deste blog). Que eu arrasto meus amigos para shows e eventos dele também é sabido (muitos viram fãs também, afinal, só quem já presenciou a entrada da orquestra RC9 e o locutor anunciando o Rei, entende essa paixão).

O que pouca gente pode ter percebido é o poder premonitório que Ele possui. Só pode ser! Afinal, quando Erasmo Carlos apresentou ao colega ainda, Roberto Carlos, uma versão em português da música 'Road Hog', ninguém imaginou que um rock poderia ser feito em português e muito menos que faria sucesso falando de um 'calhambeque...'.

Pois fez e passados 50 anos do tal calhambeque, além de diversas promoções com réplicas do carrinho (carrão), uma exposição sensacional está montada na Oca no Parque do Ibirapuera em São Paulo para homenagear aquele garoto que perdeu uma perna em um acidente de trem, o filho da D. Laura que nasceu em Cachoeiro do Itapemirim no Espírito Santo e depois de ir em busca de reconhecimento no Rio de Janeiro, em menos de dois anos protagonizava uma reviravolta musical e cultural em nosso pais em plena ditadura militar, levando milhares de adolescentes à loucura nas velhas tardes de domingo no teatro da TV Record, quando ao lado de seu irmão camarada Erasmo Carlos e de sua ternurinha Wanderléia, estourou na Jovem Guarda.

Mas não é por causa dele, foi aquele calhambeque. Aliás, se não fosse aquele calhambeque que parou na contramão, hoje ele não estaria comemorando 50 anos de carreira como o maior nome da musica popular brasileira de todos os tempos.

De que valeria o céu azul e o sol sempre a brilhar se não tivéssemos Roberto Carlos para tornar nossas vidas um pouco mais bregas e românticas, afinal, 'se as cartas de amor são bregas, brega é quem nunca escreveu uma carta de amor' (Carlos Drummond de Andrade). E é isso que ele fez esse tempo todo. Traduziu o intraduzível.

Mas é por causa desse calhambeque....

Bye!


Marofe em ação:


Observe que desde a exposição sobre Bossa Nova no ano passado (2009) a Oca e o Itau tem uma excelente parceria em levar exposições incriveis, populares, inteligentes, interativas e extremamente educativas e de bom gosto por um valor 'até que acessível'. Não perca!

terça-feira, 30 de março de 2010

Minha cabeça(eira)

Sou um tipo de pessoa que não aguenta ficar sem um livro por perto, sem ler alguma coisa. Raras são as vezes que estou sem o 'livro de cabeceira'.
Acabo de ler 'Los Abandonados', de Luís Mey, o último da minha safra argentina recém-adquirida.
O primeiro romance do autor poderia identificá-lo e, porque não, classificá-lo, como um Jack Kerouac light. Sexo, drogas e rock´n´roll. Muito sexo, muitas drogas e um dito pop´n´roll. O livro é muito bem escrito e os personagens muito bem construidos. Por isso inclusive que estão virando filme com roteiro e direção de Mey, que até hoje era apenas um mero vendedor de livros na El Ateneo da Ave. Santa Fé em Buenos Ayres e com quem eu só não encontrei quando adquiri o livro porque era seu dia de folga.
Desde o principio vi as figuras dos personagens, montei as cenas na minha cabeça. Diferente do que ocorre agora com 'O Beijo não vem da boca' de Ignácio de Loyola Brandão, de renome inquestionável e de qualidade imensa mas, onde as memórias fragmentadas e separadas por tempo e espaço enremeadas por rubricas não deixa o pensameto fluir. Pelo menos não agora na página 33.
O que me faz ficar demais de curiosa pelo meu mais novo besteirol adquirido no sebo Estante Virtual 'Janey Wilcox - Alpinista Social' da Candance Bushnell. Adoro! Quem disse que livro de cabeceira é livro cabeça? O importante é o que se descobre, o universo por trás. E, mesmo com o recém inaugurado 'O Beijo...' aprendi:

"O beijo não sai da boca. Sai do coração" - Ignácio de Loyola Brandão.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Bioenergia renovável!

Acabo de assistir à campanha política, ops!, propaganda partidária, ops!, propaganda, enfim.. sei lá qual motivo inventaram ou não, do governo do Estado de São Paulo.
Acredita que em pleno 2010, todo mundo preocupado com um possivel colapso ecológico, a menina dos olhos do governo é o Rodoanel que asfaltou não sei quantos quilometros de terra entre pontes e estradas? A medida que aqueles 30 segundos eram intemináveis, meu queixo foi despencando para eu terminar num sonoro: que absurdo!
Toda vez que vou ao Rio de Janeiro de carro (sempre com mais de duas pessoas) ou de ônibus, acompanho paralelo à Dutra trilhos de trem abandonados. Lembrando que hoje em dia, o trem não polui nem 1/5 do que poluem automóveis o que, principalmente para o escoamento da produção seria formidável (como era) para a rápida e eficiente chegada aos portos de Santos, Rio ou Paranaguá (os maiores).
E o governo achando o máximo asfaltar a Terra e sufocar o planeta.
Vão dizer que em troca estão plantando não sei quantas mil árvores. Resultado: ainda estamos devendo! Na Marginal, em São Paulo (cidade) a mesma coisa: construção de não sei quantas pistas novas (pra falar a verdade não sei onde também... já não é apertado o suficiente?) 'asfaltadas'. Que maravilha, não? O asfalto, o asfalto, o asfalto! Carros, máquinas! Os homens e suas máquinas! Poluição!
No início do século passado a escritora Leandro Dupré (sim, escritora, Leandro é sobrenome) escreveu no clássico 'Éramos Seis' que um dos filhos da Dona Lola (protagonista) adorava ver o carro da tia rica ir embora pois soltava uma enorme fumaça preta. Naquela época ainda não sabiam como aquilo faria mal. Me parece que nossos governantes ainda estão em 1920.
Mas é lógico que a questão do trem é mais complicada. O buraco é mais embaixo, obvio. Maior escoamento, menor perda de produção, maior agilidade na exportação, maior necessidade de produção. E onde se encaixa a robalheira que é a perda de quase metade dos produtos agrícolas? Quem não se lembra do Tratado(?) de Taubaté em 1900 e uns quebradinhos quando mandaram incendiar as sacas excedentes do café para aumentar seu preço?
É meu amigo, essa escola é centenária!
Não quero ser Ecochata, mas, essa história de achar asfalto, carro e máquina bonito...é muito retrógrado! Bioenergia por favor!

Sábio Tom Zé!

"A volta do Trem das Onze"

Pra Iracema em Jaçanã
A esperança parece vã
Mas na maloca, Adoniran
Já se reforça, com tapioca, caldo de rã,
E convoca Joca pra derrotar Leviatã e Tio Sam.

Refrão:
De ferro e bronze
O trem das onze
Voltará,
Em Jaçanã bem de manhã
Apitará.
Comemoremos Mato Grosso eu e Joça
Com Iracema e o Arnesto na maloca.

Soja disse que este ano vem
Andar de trem,
E o milho vai querer também
Andar de trem,
Feijão disse que ninguém vai ficar sem
Andar de trem.
Inês e todo o pessoal da Mooca e do Belém
Andar de trem.

Refrão

Frankfurt, Roma,
Europa forte,
É povo rico de toda sorte,
Tudo barateia nesse transporte;
Até Las Vegas,
Ó trem carregas pra Nova Iorque,
Mas aqui o gringo tirou o trilho
Pra não deixar trem passar."

domingo, 21 de março de 2010

De bar em bar

Nem sou chegada numa 'birita'. Pelo contrário, sou até bem 'fresca': limpo a boca do copo, a lata de refrigerante ou o gargalo com guardanapo antes de encostar a boca. Passo um papelzinho também nos talheres. Lógico que não é em todo lugar que faço isso, o que é, de minha parte, um master-preconceito. É sabido que muito restaurante grã-fino é bem mais porco que os 'butecos pé-de-chinelo'.
Tenho uma amiga, toda metida a fina, viagens, carros, contatos (isso também torna uma pessoa 'chique') e que diz: 'agoro um boteco, daqueles bem pé-sujo!'. E frequenta uns lugares que eu tenho até medo. Meu fisioterapeuta, também 'fresco' e gay (normalmente gays tem aversão a tudo que é povão), completa minha amiga:'quanto mais sujo melhor'.
Claro, tem aquela clássica do 'o pão na chapa não é o mesmo em casa porque não tem os micróbios...'.
Enfim, fato é que todo mundo tem seu buteco do coração. O meu em São Paulo é o Fufu. Nome carinhoso, só para os intimos, do Skina Grill do Seu Fuad. Figura típica. Personagem do bairro. O terror das velhinhas do baile do Piratininga (pega todas!). Simpático, foi candidato a prefeito pelo PSDB em 1989. O bar é decorado com aquelas fotos do dono do estabelecimento com celebridades 2o. escalão. É limpo. Quer dizer, devido à alta rotatividade não dá tempo dos bichinhos procriarem. Muito frequentado por jornalistas que trabalham na Folha (e cansam do Folhão) e vizinhos de Santa Cecília e adjacências.
No Rio, o boteco do coração é o Cardosão. Frequentado pelas famílias de Laranjeiras, tem um bolinho de bacalhau e uma empadinha impagáveis. Administrado pelos filhos da D. Celina, é uma espécie de armazém e mercadinho onde se encontra de produtos de limpeza a gêneros alimentícios não-perecíveis a remédios para dor de cabeça e outras mazelas auto-medicáveis. Coisa que em São Paulo não existe mais...

Vá lá:
- Armazém Cardosão: Rua Cardoso Junior, 312 - Laranjeiras - Rio de Janeiro / RJ
- Skinna Grill do Fuad: Rua Imaculada Conceição esquina com Rua Francisco Martim - Santa Cecília - São Paulo /SP

quarta-feira, 17 de março de 2010

Seria o Dinheiro Deus ou o Deus Dinheiro?

A campanha da Fraternidade da Igreja Católica deste ano de 2010 fala sobre Deus e Dinheiro. Sobre como temos tratado estes temas: causa e consequência, consecutivos de um para outro ou consecutivos de outro para um? Ou apenas uma dádiva. O que você faz com seu dinheiro? E com seu Deus? Quem te rege? Deus? Dinheiro? N.d.a.?
Idependentemente da escolha ou herança religiosa pensar nos valores humanos está acima disso, pois, qualquer alternativa intercepta essa questão. Tudo passa pelos valores morais e éticos de cada um. E não é apenas em relação a determinadas religiões que pregam a entrega de seus bens, do seu suor e do seu esforço para o templo de devoção deixando pessoas endividadas no maior exemplo de má-fé.
O dito popular diz que judeus são 'mão-de-vaca', que sabem cuidar e ganhar muito bem o dinheiro, que o fazem render e se multiplicar. Ao mesmo tempo ostentam jóias e carros. Hoje principalmente no mundo capitalista, muitos jovens judeus chegam a ser arrogantes quanto a isso. Inclusive em sociedades e casamentos. Ainda hoje.
Não muito diferente da igreja católica que no princípio pobrezinha hoje se divide em riquíssimos e muito pobres, pois, a classe média virou evangélica. Então de ambos os extremos católicos se doa esmolas para a igreja. Para uns custa muito, para outros muito pouco. Teoricamente esse dinheiro é para obras de caridade e, muitas vezes o é realmente. O que para o rico é mais doído de doar, o pobre doa com gosto, abre mão de suas necessidades e desejos em prol do outro. O rico diz que reza, sai da missa escolhida a dedo pela ordem de menor duração e sai correndo antes mesmo do padre se retirar. Fica horas na fila do vallet esperando seu carrão. E não faz nada do que prometeu a Deus. Deve ter passado despercebido, pois ele foi apenas cumprir função.
Islâmicos também são vistos como bons negociadores e comerciantes. No entanto, hoje em dia, o medo de terrorismo é grande para com pessoas desta crença. Foi generalizado.
A verdade é que Deus é toda energia boa que faz os planetas dançarem, as marés se movimentarem, o vento soprar, o trovão estourar e todos os outros fenômenos da natureza. O homem está esquecendo que faz parte desse sistema, automatizando e mecanizando tudo. Perdendo seu contato com a natureza e assim, com Deus. Tudo é fugaz e efêmero. Tudo é supérfluo. Tudo é dinheiro.

Essa semana fiquei refletindo muito a respeito disso, depois que Eike Batista, o 8o. Homem mais rico do mundo e ex-marido da Luma de Oliveira, saiu na Forbes declarando sua fortuna e isso virou um escarcéu em cima dele. Foi até inventado uma calculadora chamada Eike Calculator (que era um site que já foi tirado do ar) onde você coloca seu mísero (perto dele tudo é mísero) salarinho e fica sabendo quando ficará rico como ele. Salvo seja o ex-deputado João Alves (vide video), conhece o Dia de São Nunca??



Para alguns Deus pode ser o Silvio Santos...



Para marofar:
- O grupo teatral Parlapatões, Patifes e Paspalhões tem uma peça de repertório chamada 'As Nuvens e/ou Um Deus Chamado Dinheiro' vale a pena conferir.

domingo, 14 de março de 2010

Minha vida não cabe num busão!

Aposentei o carro. Em prol do meio-ambiente voltei ao velho (nem sempre bom) coletivo. Saudosismos a parte, estão bem diferentes da minha época de colégio quando a turma inteira pegava o Perdizes - 875A ou M que passava na porta do colégio e ia deixando a galera desde o metrô São Judas até eu que descia no meio da Avenida da Consolação. O ônibus era aquele meio oval com os bancos 'dois em um' e faróis redondos. E isso mal tem 10 anos.
Hoje a coisa mudou muito. Principalmente os pontos de ônibus que estão mais longe o que me faz pegar 2 ônibus. Mas tudo bem porque hoje existe o tal Bilhete Único que facilita muito além das várias histórias hilárias que só um bom busão te proporciona.
Outro dia peguei o 819P que sobe a Avenida Angélica até a Dr. Arnaldo. Ao entrar vi nos bancos reservados uma figura que deve ter seus 60 e picos e que é famos aqui na região. É fato que a figura não bate bem da cabeça, mas, parece que vive direitinho. Os ônibus de Higienópolis são extremamente ecléticos. Temos de mendigos a madames 'laqueadas' passando pelos colegiais e executivos. Neste dia, essa figura que é gordinha com nariz adunco e cabelos grisalhos pela cintura, falava alto com sua voz estridente e com 'língua plesa', contando à uma senhora 'laqueada' que logo deu um jeito de saltar que seu 'pai saia transando por aí'. Assim mesmo.
Os olhos da senhora interlocutora quase saltaram antes dela e pelo pára-brisa do ônibus. A outra lógico, não percebeu, mas, o ônibus inteiro caiu na gargalhada com a situação.
Tenho certeza que a vida em ônibus dos outros não é tão animada quanto a minha e muitos dizem que é porque eu tenho a opção do carro em casa estacionado na garagem. Fato é que me divirto mesmo porque para mim andar de ônibus ou de coletivo é desestressar do trânsito e fazer caminhada. Mesmo com horário certo para chegar aos lugares.
Ao mesmo tempo essa minha nova filosofia me dá aparatos peculiares tais como sempre que estou em ônibus intermunicipais, se entra uma mulher com uma ou duas crianças pequenas e chorando para todos sentarem na mesma poltrona, 100% de chance de que seja a dona da vazia ao meu lado. E 99% de chance que ela tenha subido ao veiculo nos 45 do segundo tempo quando eu já comemorava meu enorme espaço ao ir sozinha em duas poltronas.
Idem se entra alguém mais avantajado fisicamente. Da última vez tive que ceder meia poltrona para o braço do companheiro ao meu lado. Ande de ônibus comigo e comprove!
Como boa paulistana que sou, sigo o exemplo de nossa 'mui' respeitosa ex-prefeita: 'Relaxe e goze!'